Universo mais devir se torna Cosmo

Representação artística, em escala logarítmica, do Universo observável, partindo do Sistema Solar, ao centro, até as muralhas galácticas, nas bordas. Imagem: By Unmismoobjetivo (Own work) [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons
Representação artística, em escala logarítmica, do Universo observável, partindo do Sistema Solar, ao centro, até as muralhas galácticas, nas bordas. Imagem: By Unmismoobjetivo (Own work) [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons

O Universo era o conjunto dos objetos astronômicos somado ao espaço-tempo entre eles, tudo em evolução, ou movimento. O Cosmos era tudo isso e algo mais.

Quando terminava faculdade de Filosofia, no segundo semestre de 1993, trocava ideias com um colega de classe sobre a dicotomia sem fim entre as religiões e os diversos ramos das ciências físicas.

Para nós, tanto aquelas como essas buscavam a verdade e se diferenciavam menos no que seria a verdade a ser alcançada que pelo método, o como fazer para se chegar até ela.

Nós tínhamos a noção de que a verdade seria uma certa consciência cósmica. O problema era chegar até ela. Para meu colega, o percurso a ser coberto até lá passava por três momentos.

No primeiro, o homem baseava suas decisões no sentimento, principalmente egoísta. Depois, a razão passa a ser o critério para se chegar à verdade. No terceiro momento, as pessoas desenvolvem a consciência cósmica.

Como avançar além da razão

Para ele, o homem alcançaria esse patamar derradeiro quando se tornasse capaz de controlar suas emoções e a mente, o que abriria as portas para a percepção extra-sensorial, o supra-sumo da consciência cósmica.

Meu colega achava que esses três passos eram suficientes, mas não tinha resposta sobre como avançar além da razão e dar o passo segconsciuinte.

De minha parte, achava que a consciência cósmica não era a habilidade para telepatia, psicocinese, viagem fora do corpo, ou qualquer outra coisa do gênero.

Afinal, havia pessoas com essas capacidades que, no entanto, não tinham consciência cósmica. Assim como havia pessoas com consciência cósmica que não eram, por exemplo, telepatas.

O Cosmos era tudo e mais alguma coisa

Para mim, consciência cósmica não era mais do que cerca capacidade de percepção do mundo em volta. Era perceber a consciência cósmica movendo e, ao mesmo tempo, atraindo, a realidade. A realidade, por sua vez, era algo como a imagem de Deus refletida nas coisas, e estas eram a imagem de Deus.

Se o Universo, em sentido restrito, era o conjunto dos objetos astronômicos e o espaço-tempo entre eles, tudo em evoluindo ou se movendo, o Cosmos, em sentido mais amplo, era tudo isso e mais alguma coisa, a ordem para o movimento, ou evolução.

Uma das manifestações mais bonitas da consciência cósmica, a meu ver, era o que chamei liberdade ordenada. Tudo evoluía em um determinado contexto. Isso significava que o movimento, qualquer que fosse ele, de uma partícula subatômica a um buraco negro, passando pela ação de uma pessoa, não era totalmente livre.

Novo homem perde a liberdade plena

Mas isso não bastava. Era preciso a pessoa que percebe a liberdade ordenada se sentir como parte do todo, do processo. Logo, ter consciência cósmica era a capacidade de perceber e sentir o real e sua ordenação e se ver parte dessa unicidade.

A razão fizera o homem senhor da natureza e, na sua arrogância, vive em conflito consigo mesmo e com ela. Somente na humildade se despe dela e desperta para o uno, expandindo a consciência cósmica.

Esse novo homem perde a liberdade plena, que só possui na arrogância, e ganha a liberdade ordenada, compreendendo sua existência no Universo fundamentada no imperativo cósmico.

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