Um mundo com dois sóis!

Um mundo com dois sóis. Por NASA/Ames Research Center/Kepler Mission [Public domain], undefined
Um mundo com dois sóis. Por NASA/Ames Research Center/Kepler Mission [Public domain], undefined
Por suas características orbitais inéditas, o planeta Kepler 16b, que gira em volta de dois sóis, tal como na ficção científica, continuará fascinando e desafiando a imaginação não só dos astrônomos, mas de muita gente, por muito tempo. Pelo menos até a descoberta de um mundo habitável.

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O novo planeta Kleper 16b, distante 200 anos-luz na constelação do Cisne, do hemisfério norte, orbita em torno dos dois sóis Kepler 16, que, visto da Terra, tem magnitude 12. O sistema foi descoberto pela equipe de cientistas liderada pelo astrônomo Laurence Doyle, do Instituto SETI, entidade norte-americana que tem a missão de explorar, compreender e explicar a origem, natureza e prevalência da vida no Universo.

Na maioria dos casos envolvendo binárias, as duas estrelas são bastante separadas no espaço, de forma que um exoplaneta orbita apenas uma delas. É como se fosse o planeta de sistema estelar simples, como o Sistema Solar.

Apenas sete exoplanetas, das muitas binárias com planetas descobertas, revolvem ambas as estrelas, sendo que Kepler 16b é a primeira delas confirmada, ao exibir sua própria silhueta transitando ambas as estrelas.

As duas estrelas do sistema Kepler 16 são uma anã laranja e uma anã vermelha, com 0,69 e 0,20 a massa do Sol, ou seja, são menores que nossa própria estrela.

Queda da luz total dos sóis era mistério

A relação de tamanho entre elas é de 3 para 1. As duas estrelas se eclipsam a cada 41 dias, enquanto revolvem em torno de um centro de massa comum, em uma órbita levemente excêntrica.

Quando a menor e menos luminosa delas, a Estrela B, passa em frente da Estrela A, o total de luz vindo do sistema cai 13%. Já quando A bloqueia B, há uma queda de 1,6%. A luz total do sistema também se reduz em 1,7% em um modo que não corresponde aos eclipses mútuos.

Essa característica permitiu que um terceiro objeto, menor, passava diante da face das estrelas A e B, a cada 229 dias. A partir do leve puxão gravitacional que esse objeto exerce sobre as duas estrelas, os astrônomos concluíram que tem apenas um terço da massa do nosso Júpiter.

Na verdade, os cientistas calcularam que o objeto tem três quartos do diâmetro de Júpiter. Ou seja, seu tamanho é similar a Saturno e é 1,4 vez mais denso, sugerindo que o planeta é mais rico em elementos pesados. Contudo, os astrônomos não podem precisar se Kepler 16b é anelado, como Saturno.

Gravidade é semelhante com a da Terra

Ao contrário de Tatooine, o astro do tipo terrestre, rochoso, que orbita dois sóis em Star Wars e tem uma paisagem com montanhas, cidades e muitas espécies alienígenas, Kepler 16b não tem superfície sólida e é extremamente gelado, com temperatura média de -80°C.

A única semelhança com a Terra é sua gravidade, que na superfície, é de 1,5g, considerando a nossa como 1g. Um ser humano poderia andar cambaleando em Kepler 16b, mas logo estaria cansado.

Embora Kepler 16b não seja um Tatooine, é uma maravilha, para os astrônomos. Eles esperam que o astro ajude a desvendar alguns mistérios que ainda existem sobre a formação planetária em torno de estrelas binárias.

Os astrônomos já sabem que os três astros eclipsantes do sistema Kepler 16 orbitam em um mesmo plano, dentro de uma estreita faixa de 0,5°. Isso indica que se formaram ao mesmo tempo, do mesmo disco protoplanetário, e permaneceram assim desde então, sem nenhuma perturbação.

Arranjo orbital muda lentamente

Os astrônomos acreditam, porém, que esse arranjo tranquilo muda, lentamente. Efeitos gravitacionais combinados, dos três objetos, está deformando, ou empenando, o plano orbital em um longo ciclo, chamado precessão.

Kepler 16b irá deixar de cruzar em frente à estrela mais fraca por volta de 2014 e a mais brilhante em 2018. Somente em 2042 o planeta transitará novamente em frente às estrelas, do ponto de vista da Terra.
Embora Kepler 16b orbite três vezes mais longe do que a separação entre os dois sóis, simulações indicam que o sistema é estável, pelo menos em uma escala de tempo de alguns milhões de anos. O planeta continuará sendo um objeto curioso e fascinante por um longo tempo.

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