Efeitos terrestres da superlua

 

Superlua: perigeu aproxima os mundos terrestre e lunar. Foto: Tom Lima
Superlua: perigeu aproxima os mundos terrestre e lunar. Foto: Tom Lima

A superlua que aconteceu em 8 de agosto de 2014  nos impressionou por sua beleza, pode ter causado efeitos na Terra que só saberemos depois. Evento parecido, sabe-se agora, teria afundado o famoso transatlântico Titanic, em 1912.

Como sabemos, a Lua se desloca em torno da Terra e esse percurso não é perfeitamente circular, mas excêntrico, elíptico, com a Terra posicionada mais perto de um dos dois focos da elipse, sendo que a Lua leva 29 dias e meio terrestres para completar uma volta, o chamado mês sinódico.

Em certo momento de sua órbita, portanto, a elipse leva a Lua para longe de nós. É o apogeu, quando a distância máxima entre os dois mundos passa de 400.000 km. Em 13 de julho de 2012, por exemplo, durante o apogeu, a Lua esteve a 404.779 km de nós.

No outro extremo da elipse, a Lua está mais próxima da Terra. É o perigeu, quando a distância mínima entre os dois mundos fica abaixo de 370.000 km. No dia 29 de julho de 2012 o satélite ficou a exatos 367.315 km daqui.

O perigeu da Lua, e seu apogeu, não acontecem sempre no mesmo dia do mês sinódico. A razão é que o perigeu lunar se desloca lentamente, em volta da Terra, de oeste para leste.

Coincidência entre o perigeu e a Lua Cheia

Por esse motivo, o apogeu lunar pode acontecer na fase de Quarto Crescente, ou Quarto Minguante, ou Lua Nova. Ou nas interfases. Logicamente, a Lua é mais atraente durante o perigeu, pois ela está mais próxima e, por isso mesmo, visivelmente maior. A mais distante Lua Cheia de 2012 aconteceu em 28 de novembro, quando o satélite natural da Terra esteve em apogeu.

Quando um perigeu coincide com a Lua Nova, coincidirá com a Lua Cheia cerca de 6 meses e meio mais tarde. E foi precisamente esse fenômeno astronômico de coincidência, entre o perigeu e a Lua Cheia, que aconteceu entre sábado e domingo, 5 e 6 de maio de 2012.

Quem teve oportunidade e a felicidade, como eu tive, de estar no momento certo, no horário certo, viu uma Lua extraordinariamente luminosa e grande nascendo no horizonte leste, no início da noite de domingo, 6. Sem dúvida, um espetáculo astronômico inesquecível.

Essa variação de distância, no perigeu e no apogeu lunares, em relação à Terra, se deve a interações gravitacionais próprias do sistema Terra-Lua, e desse sistema com o poderoso Sol.

Como se pode perceber, durante as fases Cheia e Nova, a Lua, a Terra e o Sol se encontram alinhados no espaço, formando uma quase-reta, já que o alinhamento nunca é perfeito. Esse alinhamento também diz respeito aos eclipses lunares e solares, mas não trataremos disso, neste post.

Deflagração de um terremoto

Quero dizer que, durante esses alinhamentos, há maior puxão gravitacional sobre os três astros. Do ponto de vista da Terra, o puxão é maior por ocasião das luas novas que nas luas cheias.

Isso porque, na Lua Nova, o satélite e o Sol estão alinhados do mesmo lado e a força gravitacional da Lua se soma à do Sol de modo, digamos, mais direto.

Os efeitos gravitacionais são suficientemente fortes para haver uma correlação entre esse tipo de alinhamento e terremotos.

De fato, o corpo do nosso Planeta Azul chega a se flexionar cerca de 23 centímetros durante esses eventos orbitais, o que pode ser o empurrão que falta para a deflagração de um terremoto que já estava prestes a acontecer.

Ainda há de se considerar, porém, que a órbita da própria Terra, em volta do Sol, que dura um ano, também é elíptica.

Assim, num certo momento, nosso planeta está mais longe do Sol que nos outros. É o afélio da Terra, em comparação ao apogeu lunar. No próximo afélio, que acontecerá em 5 de julho próximo, a Terra estará à distância máxima de 151,1 milhões de quilômetros do Sol.

Seis meses depois, em janeiro, a Terra passará a 147,1 milhões de quilômetros da estrela mais próxima. É o periélio, em comparação ao perigeu lunar. Logicamente, a atração gravitacional que este astro de natureza estelar exerce sobre nosso planeta habitado é maior no periélio que no afélio.

Imagine agora, uma coincidência entre o perigeu da Lua, a Lua Nova e o periélio. Não é preciso pensar muito para se chegar à conclusão que a interação gravitacional entre os três astros é maior.

Lua bem mais próxima que o usual

Pois, foi um evento astronômico desses, suspeita-se agora, o responsável pelo naufrágio do Titanic, no qual morreram cerca de 1.500 pessoas.

A diferença é que a Lua estava em fase Cheia, e não em Nova. Contudo, o intervalo de tempo entre o instante em que a Lua ficou cheia e o perigeu foi de meros seis minutos, o que significa que ocorreram quase ao mesmo tempo.

Em 1912, o periélio da Terra aconteceu no dia 3 de janeiro, enquanto o perigeu e a fase cheia lunares aconteceram em uma data bastante próxima, já no dia seguinte, 4. Isso fez com que a Lua estivesse, no perigeu, excepcionalmente perto da Terra, cerca de 356.375 quilômetros.

Essa conjunção infeliz de fatores teria feito muitos icebergs, que estavam encalhados, voltar a flutuar na maré mais alta. Teriam, então, sido arrastados pelas correntes marítimas, lentamente, até a rota do Titanic.

Bem, o último perigeu lunar, o que aconteceu entre 5 e 6 de maio passados, foi um dos que trouxe a Lua para mais perto da Terra. De fato, a Lua esteve a apenas 356.955 km daqui, portanto, bem mais próxima que o usual.

De fato, a Lua só estava cerca de 580 km mais longe que no famoso perigeu de 1912. É mais ou menos a distância de minha cidade natal, Teresina (PI), à capital do Ceará, Fortaleza. Os astrônomos calculam que só teremos uma Lua tão próxima assim em 2014.

Pode ser que, daqui a algum tempo, no futuro, tomemos conhecimento de algum efeito, bom ou ruim, da ação gravitacional desse fenômeno interessante, no nosso próprio mundo.

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