Janela para o Cosmo

 

Olhando através da janela cósmica. Imagem by Anonymous (Public domain or Public domain), via Wikimedia Commons
Olhando através da janela cósmica. Imagem by Anonymous (Public domain or Public domain), via Wikimedia Commons

Ao me deparar com o céu nublado, em certa noite em que pretendia vasculhar o espaço profundo, percebi como me integrava à paisagem cósmica. Compreendi a pluralidade dos mundos habitados, todos semelhantes entre si.

Isso aconteceu no início da segunda quinzena de junho de 1994, quando em minha cabeça tudo transpirava a teoria refracionária, então em pleno desenvolvimento.

Estava eu no observatório, a sós, e dirigi a atenção para o céu noturno. Não olhei para cima, na vertical, nem à frente, na horizontal, mas no sentido de campo.

Afinal, a consciência, entendo, não vê pontos, mas seções inteiras, não-delimitadas, do real. Percebi que um véu espesso. O céu estava nublado.

Ordem de grandeza suprema

Pouco tempo atrás, tinha olhado através da janela cósmica, enquanto pensava nestas coisas. Agora, então, olhei profundamente em direção ao campo. Lamentei. A janela continuava fechada.

“Não tem graça”, foi minha primeira reação. Se a janela estivesse aberta, também seria interessante, como descrito em Setor norte da Galáxia no horário nobre!!. Contudo, me veio a noção oposta. Ora, a cúpula celeste estava translúcida, portanto, aparentemente fechada! Não nos é permitido divisar toda a hipermagnitude não-absoluta, em tal ordem de grandeza suprema!

A abóbada celeste preenchia o campo

Satisfeito, apesar disso, imaginei, apenas imaginei, a fulguração resplandecente da vastidão do espaço repleto de estrelas, na direção do centro da Via Láctea, bem posicionado no céu, naquela época do ano.

“Maravilha”, eu me contentei, me lembrando da visão que tivera na noite anterior, quando a janela estava aberta. Logo, percebi que a abóbada celeste preenchia quase-perfeitamente o campo, desde a abertura em si, até as reentrâncias e curvas visíveis nas bordas do vão que formava a janela.

Olhei para os lados, para cima, por entre a copa dos arbustos próximos, entre os fios da rede elétrica mais adiante.

Certeza da pluralidade dos mundos

Recortei a silhueta das casas a distância e me estendi ao horizonte longínquo. E percorri as reentrâncias do horizonte perceptual, para me reportar à teoria refracionária.

O caráter não-absoluto do campo ficou evidente e me deparei com a beleza disso: integro a paisagem cósmica, que preencho em cada detalhe, em variados níveis, de modo não-excludente.

Ora, esse aspecto me traz a certeza da pluralidade dos mundos habitados. Eles, entidades biosféricas como o nosso planeta Terra, não são tão multíplices e cosmicamente semelhantes como poeira de estrelas e trilhões de galáxias, espalhadas pelo Universo Dimensional Fisico, são parecidos entre si?

 

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