Extraindo eletricidade do “nada”

Representação mostrando, em relevo, o que seria o vácuo quântico. Ilustração por Luisfernandohill [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons
Representação mostrando, em relevo, o que seria o vácuo quântico. Ilustração por Luisfernandohill [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons
Enquanto a humanidade busca uma fonte de energia inesgotável, capaz garantir suprimento mesmo nas condições mais adversas, pensei em construir um dispositivo capaz de captar eletricidade… do “nada”.

A idéia me veio enquanto lia uma matéria sobre mineração de buracos negros, na edição brasileira da Scientific American, de março de 2015.

Antes de continuar, abro um parêntese para descrever uma fonte recorrente de inspiração: o sono. No início da manhã de 19 de março, eu estava sonolento.

Bem, adoro ler em estado de vigília total, com a mente bastante ativa. Contudo – mas, às vezes – ler meio sonolento é bastante interessante, por me permitir cada insight!

Já aconteceu várias vezes, ao ler assuntos variados. Em muitas dessas oportunidades, não escrevi logo a inspiração que surgiu, num desses momentos especiais, e acabei esquecendo. Desta vez, resolvi contar. Aqui vai!

Mergulhei  no estado hipnogógico

As reportagens da Scientific American são sempre escritas por especialistas em suas áreas e são textos densos, detalhados, completos.

A matéria sobre a tal mineração de buracos negros, apresentada como uma curiosidade científica, já que é impossível minerar essas gargantas cósmicas, é de autoria de Adam Brown, da Universidade Stanford.

Enquanto lia, chamava atenção como o autor, um físico teórico, podia explicar, de modo tão acessível, algo tão complexo.

Bem, digo isso para garantir que minha sonolência não era, em absoluto, por causa do texto em si, cujo assunto é um dos que mais gosto.

De fato, minha sonolência era por causa da noite anterior, na qual, por razões que não preciso declarar, não dormi bem, como devia.

A questão é que comecei a sentir a falta do sono mais ou menos no primeiro terço do texto. Continuei lendo, ou me mantive tentando ler, lutando contra o sono, tendo que voltar e reler algumas vezes, em determinados pontos.

De vez em quando, também, mergulhava subitamente no estado hipnogógico, aquela situação de torpor total no qual a mente praticamente mergulha num estado de consciência inferior à vigília, contudo, mais próximo do sono.

Microssegundo que vira eternidade

O estado hipnogógico é, na verdade, o que as pessoas costumam chamar de cochilo, breve, percebido melhor quando se está sentado: a mente dá um escorregão, apaga por frações de segundo e, quase no mesmo instante, como que num susto, volta à vigília.

Normalmente, a gente não percebe o que vai na mente nesse microssegundo em que ocorre o apagão. Simplesmente “dorme” e acorda novamente, esquecendo-se completamente do que havia no “sonho”.

Contudo, com algum treino, é possível levar a mente consciente para dentro do tal apagão e assim, entrar nele, para vivenciar plenamente o que vê.

De fato, dá para perceber integralmente o tal sonho, ou imagem, que surge no estado hipnogógico. E então, esse microssegundo vira uma eternidade! Claro, dá para lembrar de tudo, ao voltar à vigília.

Esse estado que também pode ser intenso o suficiente para a pessoa sem treino realmente cair no sono e dormir.

Contudo, vamos considerar que desperte em seguida. Nessa situação, a gente se desliga temporariamente do ambiente ao redor.

Não vê nada, porque os olhos, evidentemente, estão fechados. Também perde o sentido da audição. O tato também desaparece. Inexiste qualquer outra coisa fora da mente.

Do “nada” ao “tudo”

Quando a gente está apenas pensando antes de entrar no estado hipnogógico, e entra nesse estado, associa a imagem que surge nele ao pensamento, embora seja possível não haver nenhum relacionamento.

Quero ressaltar que sei de tudo isso por experiência própria, porque estudei e vivenciei, intensamente, esse assunto, enquanto me preparava para controlar os sonhos e viajar fora do corpo, como comecei a descrever em Como controlei os sonhos e em Viagem astral é inerente ao eu.

Ora, eu estava lendo um texto muito interessante sobre busca de fontes alternativas de energia que tratava de coisas como buracos negros, velocidade da luz, espaço-tempo, radiação de Hawking, fótons…

Aqui, lembro que não existe vácuo. Mesmo o mais isolado dos vácuos é um oceano de atividade, que ocorre no mundo subatômico. Eu já havia estudado sobre como partículas eletricamente carregadas se formam a partir do vácuo quântico.

Isso funciona mais ou menos assim: a todo instante, uma quantidade imensa de partículas virtuais, porque não existem no mundo físico, emergem aos pares do vácuo quântico, que literalmente fervilha de atividade.

Caso partículas nascem, se separam, se aproximem e frações de segundo depois, se chocam, aniquilado-se mutuamente numa microexplosão energética. Sua energia retorna ao vácuo quântico.

Pareciam células fotovoltaicas, mas não eram!

Contudo, se, nas proximidades, houver uma fonte de energia, até mesmo gravitacional, as partículas do par virtual que acabaram de ser liberados são atraídas por ela, em vez de se reencontrarem e se aniquilarem. E se tornam milagrosamente reais, emergindo no mundo físico.

Bem, eu estava me aproximando do final do texto sobre mineração de buracos negros quando, meio sonolento, mergulhei num súbito estado hipnogógico no qual minha mente subconsciente buscou, no fundo de minha memória, essa informação.

O resultado foi que, na fração de segundo em que estava mergulhado naquele torpor especial, vi a imagem de um dispositivo parecido com uma dessas placas fotovoltaicas, que transformam energia luminosa em elétrica.

Mas a placa não era fotovoltaica. Tinha a aparência e a cor de uma delas, mas não era. De fato, o objeto estava mergulhado em um ambiente que fervia de atividade. Vi corpúsculos brilhantes saltarem para fora do ambiente em volta, para despencar na placa.

Entendi, imediatamente, que a imagem em minha mente era de um dispositivo imerso no vácuo quântico. A própria presença dele criava um campo gravitacional pequeno, mas suficiente para atrair uma infinidade de partículas virtuais que surgiam a todo instante do “nada”.

Conversor quântico de energia?

Em fração de segundo, saí do transe em vigília total, com a visão de uma placa quântica capaz de captar partículas virtuais e transformá-las em uma corrente elétrica, que pudesse ser aproveitada para abastecer nossa fome de energia.

Uma placa dessas poderia ser exposta diretamente no quase vácuo do espaço em volta da Terra, talvez em órbita baixa. Ou revestindo naves espaciais. A energia captada poderia ser transmitida na forma de microondas para qualquer ponto da superfície do planeta.

Contudo, o dispositivo poderia captar partículas virtuais não só no espaço. Talvez pudesse funcionar mesmo na superfície da Terra, com ou sem luz presente.

Bem. Não sei se um dispositivo desses pode, um dia, ser desenvolvido e fabricado. Nem sei se pode gerar eletricidade em quantidade que pudesse ser útil.

Nem sei dimensionar o tamanho do dispositivo para que pudesse captar uma quantidade apreciável de energia. Ou mesmo se já existe algo assim, embora não tenha tomado conhecimento.

Aqui e agora

A reportagem que me inspirou trata da captação de energia que pudesse suprir a humanidade em um futuro distante.

A hipótese abordada é de que o homem de um futuro bastante remoto terá desenvolvido uma tecnologia avançada o bastante para lhe permitir viajar entre as estrelas e, assim, escapar da morte do próprio Sol.

Em um futuro ainda mais longínquo, essa civilização avançadíssima seguiria consumindo a energia das estrelas pelo universo afora, até que se apagasse a última delas da última galáxia existente, e só restassem buracos negros.

Por fim, o autor diz que é impossível minerar um buraco negro para extrair dele ainda que um pouco de sua imensa energia, restando ao homem tecnológico do futuro um universo gelado.

Minha sugestão é que, na eventual destruição de todas as estrelas, de todas as galáxias, ainda assim teríamos suprimento energético, pois teríamos o vácuo quântico ao nosso redor.

Se bem que nem precisaríamos esperar tanto, nem viajar para tão longe no espaço-tempo afora. Um conversor quântico de energia poderia, talvez, ser desenvolvido agora mesmo.

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