Estados Unidos vão mesmo a Marte

Cápsula Orion: a nave que levará os norte-americanos a Marte. Imagem: By NASA [Public domain], via Wikimedia Commons
Cápsula Orion: a nave que levará os norte-americanos a Marte. Imagem: By NASA [Public domain], via Wikimedia Commons
Nós vamos mesmo a Marte, e a viagem não demora muito. Ou os norte-americanos vão. Pelo menos é o que posso concluir ao perceber inúmeras discussões – acaloradas, até, em curso nos Estados Unidos, que até testaram, com sucesso, em fins do ano passado, a espaçonave interplanetária concebida para esse fim.

Os atentados terroristas de 11 de setembro fizeram a única superpotência inconteste, os EUA, se preocupassem antes com a própria sobrevivência. Com isso, desviaram vultosas quantias em dinheiro para as forças armadas, deixando o programa espacial em segundo plano.

Apertos orçamentários fizeram o País por fim ao dispendioso e perigoso programa do ônibus espacial. E a agência espacial americana mudou de foco.

A NASA contratou empresas privadas para cuidar da órbita baixa da Terra, que inclui o transporte de suprimentos e astronautas até a Estação Espacial Internacional, ISS.

Enquanto isso, canalizou inteligência, energia e dinheiro para planos mais ambiciosos, de envergadura interplanetária.

Americanos deixaram a Lua para trás

Concepção artística de uma  colônia americana em Marte. Imagem:  By NASA ([1]) [Public domain], via Wikimedia Commons
Concepção artística de uma colônia americana em Marte. Imagem: By NASA ([1]) [Public domain], via Wikimedia Commons
Curiosamente, a Lua, que os americanos conquistaram ainda na década de 1960, num feito extraordinário, não entrou nos planos.

De fato, a NASA anunciou há poucos meses que deverá fazer jornada com astronautas a um asteroide, que seria rebocado até as imediações da Lua, para estudos.

Seria um treino para o que realmente interessa, a expedição tripulada a Marte. E, se a NASA, que é um órgão governamental, não agir logo, a iniciativa privada irá primeiro.

Ora, as duas empresas que a NASA contratou para a órbita baixa foram a americanas Boeing e a Space X, que foi contratada por US$ 1,6 bilhão.

A Boeing é veterana em veículos espaciais e, com os US$ 4,2  bilhões que recebeu da NASA, está construindo sua espaçonave tripulada com até sete astronautas, a CST-100, que ficará pronta em 2017.

Space X quer ir mais longe

A outra companhia, a Space X, aparentemente está na frente, já que sua espaçonave, a Dragon, voo pela primeira vez, até a ISS, em 2012.  A Dragon também poderá transportar sete astronautas.

Contudo, se a Boeing ficará na órbita baixa, a Space X pode ir mais longe. Seu proprietário, Elon Musk, é um entusiasta da exploração interplanetária e construiu sua companhia em 2002 com US$ 12 bilhões com um pensamento: conquistar Marte.

A Space X é a primeira companhia privada a construir, além de uma cápsula espacial, seu próprio foguete, o Falcon 9, que também incorpora uma novidade: o primeiro estágio é plenamente reutilizável.

A empresa também desenvolve o Falcon Heavy, tão poderoso quanto o famoso Saturn 5. Até hoje o foguete mais poderoso já construído, foi utilizado pela NASA concebeu para levar a Apollo à à Lua.

E esse brutamontes está em construção com uma finalidade: levar astronautas à Lua e a Marte.

De sua parte, a NASA parece correr contra o tempo em missão ao Planeta Vermelho, talvez, acho, porque os EUA não querem chegar lá depois da China.

Megafoguete será o maior já construído

O maior foguete já construído: para levar os americanos ao Planeta Vermelho. Imagem: By NASA/MSFC [Public domain], via Wikimedia Commons
O maior foguete já construído: para levar os americanos ao Planeta Vermelho. Imagem: By NASA/MSFC [Public domain], via Wikimedia Commons
O Governo dos EUA trabalhou duro na construção da cápsula Orion, mesmo durante os anos de penúria que se seguiram à crise econômica de 2008.

A cápsula está praticamente pronta e voou em seu primeiro teste espacial no dia 5 de dezembro de 2014, levada por um foguete Atlas IV a um ponto distante 5.800 Km da Terra.

Esta é a nave que levará astronautas a um asteroide e a Marte. Só que o foguete será outro, o SLS, de Space Launch System.

O SLS deverá ser o mais poderoso propulsor já construído pelo homem, com força suficiente para impulsionar a Orion rumo a Marte.

Está em estudo um avançado sistema de propulsão que emprega energia nuclear, que já foi testado e, equipando uma das versões do SLS, deverá reduzir o tempo de uma viagem para Marte de habituais 8 meses para 3 meses.

A meta é enviar uma missão a um asteroide daqui a dez anos, por volta de 2025. E, dez anos depois, em meados dos anos 2030, deverá conduzir a primeira expedição a Marte.

Isso se a Space X não chegar primeiro. Ou os chineses. Dinheiro não será problema. O Governo dos EUA deve destinar ao programa espacial oficial uma quantia fabulosa em seu orçamento para 2016, US$ 18,5 bilhões.

Desse valor, US$ 1,1 será para o desenvolvimento da Orion, e US$ 1,25 bilhão para o megafoguete SLS. Enquanto isso, inúmeros treinamentos de astronautas, em desertos tanto gelados quanto quentes, nos Estados Unidos e Canadá, já estão sendo feitos.

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