… e essa luz dourada, do Sol!

 

Reflexo de luz solar nitidamente dourada. Tom Lima
Reflexo de luz solar nitidamente dourada. Tom Lima

Diariamente, sobretudo em dias úteis, acordo às 5h30, e me dirijo ao quintal. Algum tempo depois, enquanto rego as plantas e arrumo alguma coisa, não deixo de notar certa luz muito bonita, dourada, do Sol, banhando suavemente a copa das árvores sob o ar frio, do amanhecer.

Essa luz, a princípio de uma tonalidade escura, intensamente alaranjada, que surge com os primeiros raios solares, vai se tornando mais clara à medida que os minutos passam, enquanto se torna nitidamente dourada. Até que, por volta das 6h30, está mais intensa e assume uma tonalidade esbranquiçada.

A gente costuma ver muitas referências a respeito de certa luz dourada do Sol. O termo aparece sobretudo em poesias, associado a uma aura romântica. Contudo, o fenômeno é real, é perceptível também no fim da tarde, e pode ser explicado cientificamente.

O efeito de luz dourada é um dos muitos que a gente pode perceber, no amanhecer e ao entardecer, sendo associado diretamente à energia luminosa emitida pela estrela mais próxima e sua refração em camadas mais densas e extensas de ar da atmosfera da Terra.

Entardecer com cores que brilham mais

Essas camadas de ar mais extensas ocorrem próximo ao horizonte e contém partículas de poeira e fuligem, além de vapor d’água em suspensão, dispersas entre as moléculas do próprio ar.

Ao incidir na horizontal, rente à superfície do planeta, a luz do sol poente ou nascente atravessa essa região e se refraciona.

Um pouco mais tarde, a mesma paisagem não exibe mais a luz dourada. Tom Lima
Um pouco mais tarde, a mesma paisagem não exibe mais a luz dourada. Tom Lima

O Sol é uma estrela classificada astronomicamente como amarela, mas emite luz branca. Essas camadas de ar funcionam como um prisma separando a luz branca do Sol em seus componentes coloridos.

Como se sabe, a luz branca é a junção de sete cores. Via de regra, se a gente vê uma determinada combinação de cores, ao raiar do dia ou ao anoitecer, é porque as demais cores, vindas da direção do Sol, são desviadas no ar pelas partículas e moléculas em suspensão, e não chegam aos nossos olhos.

Assim, percebemos a luz do Sol amarelada porque o azul, o verde e o anil têm suas trajetórias desviadas.

O tamanho das partículas em suspensão afetam essas cores. Como o ar do entardecer geralmente contém partículas maiores, como nuvens e neblina, as cores aí presentes brilham mais intensamente.

Fugidio flash verde antes do por-do-sol

Tais partículas espalham mais o verde e o amarelo, fazendo com que pareçam mais alaranjadas e vermelhas, tingindo o céu com essas cores.

Não só o tamanho das partículas afeta as cores. O tamanho das ondas de cada cor também influencia. As cores frias, como o anil, o azul e o verde, têm comprimento de onda menor e tendem a se chocar com as partículas e moléculas em suspensão no ar, sendo desviadas. Por isso, não chegam aos nossos olhos.

Já as cores chamadas quentes, com amarelo e laranja, têm comprimento de onda maior e conseguem contornar as partículas e moléculas, atingindo nossa retina.

Um dos mais obervados fenômenos ópticos relacionados ao nascer e ao por-do-sol diz respeito ao próprio tamanho aparente da estrela. Quando está nascendo, ou se pondo, o Sol parece ser bem maior que quando está a pino. Esse fenômeno também acontece com a Lua.

Contudo, a separação pura e simples da luz branca nas diferentes cores do arco-íris provoca efeitos diferentes, coloridos, e invariavelmente, bonitos.

Entre os efeitos que a refração da luz solar provoca, ao incidir sobre a superfície quase na horizontal, posso citar o fugidio flash verde que acontece imediatamente antes do por-do-sol ou antes do nascer do astro-rei.

Esteja atento à nossa condição astronômica

O flash verde, que é um fenômeno localizado, é visível apenas por um ou dois segundos, como um ponto de luz esverdeado encimando o disco avermelhado do Sol, sob condições atmosféricas não tão comuns.

Esse efeito é visível principalmente com céu limpo, quando maior quantidade de luz do Sol atinge o observador sem ser espalhada pelas partículas em suspensão na atmosfera.

Eu, particularmente, nunca testemunhei o flash verde, que na verdade, não passa de uma ilusão de óptica, uma miragem. Pouca gente consegue observar o fenômeno sem ajuda de uma câmara fotográfica ou, preferencialmente, de vídeo, dado ser brevíssimo o intervalo de tempo em que se manifesta.

Já a luz dourada, que tecnicamente é laranja ou amarela, é mais fácil de ser percebida. Não só porque dura mais tempo, cerca de meia hora, como também enfeita a paisagem, como um todo. Sem dúvida, um belo fenômeno.

Na próxima vez que estiver ao ar livre, nos minutos que sucedem o nascer-do-sol, ou que antecedem o por-do-sol, não esteja alienado. Esteja atento a esse interessante desdobramento da nossa condição astronômica.

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