Colossais hiperestrelas amarelas

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Uma das maiores estrelas conhecidas, a hipergigante amarela IRAS 17163-3907 pode ser a próxima supernova. Imagem: http://www.eso.org/public/images/eso1136a/ via Wikimedia Commons.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A estrela colossal IRAS 17163-3907, da classe das hipergigantes amarelas, a 13.000 anos-luz da Terra, em Escorpião, é 1.000 vezes maior que o Sol e será a próxima supernova.

Em matéria publicada aqui, há poucas semanas, trato das hiperestrelas, monstruosidades cósmicas que podem ser até 1.900 vezes maiores que o Sol. Neste post, falo de luminares menores que aquelas, mas igualmente grandes, na ordem de 1.000 vezes maiores que nossa própria estrela.

Elas são classificadas como hiperestrelas amarelas. Uma estrela colossal dessas foi imageada com clareza inédita, por astrônomos usando o European Southern Observatory’s (ESO) Very Large Telescope (VLT), instalado no alto da Cordilheira dos Andes, no Chile, em 2011.

Se a gente acha que o mundo – nosso mundo – é grande, imagine o que significa um objeto astronômico desse porte. Estrelas hipergigantes amarelas são astros que vivem uma fase extremamente ativa de suas vidas bastante curtas – pelo menos para os padrões astronômicos.

Esses objetos monstruosos são destinados a experimentar uma série e eventos intensamente explosivos. O resultado do estudo efetivado pelo ESO está sendo divulgado agora.

A nova imagem é a melhor já feita de uma estela dessa classe e mostra, pela primeira vez, uma descomunal concha dupla de poeira, envolvendo a estrela central.

Estrela é 1.000 vezes maior que o Sol

Como a estrela e suas conchas de poeira lembram um ovo branco em volta deu um núcleo gemado, os astrônomos deram ao objeto o nome de Nebulosa do Ovo Frito.

A estrela monstruosa, conhecida como IRAS 17163-3907, a Nebulosa do Ovo Frito, está localizada a 13.000 anos luz da Terra, sendo a estrela hipergigante amarela mais próxima daqui.

Para nós, acostumados com nosso mundo que percebemos imenso, achamos o Sol, a estrela mais próxima e à qual devemos a vida na Terra, um astro simplesmente gigantesco. Que nada. A hipergigante amarela imageada em detalhes é 1.000 vezes maior que ele.

Ela fica localizada na constelação de Escorpião, visível nesta época do ano, no alto do céu. Mais precisamente, pode ser encontrada em uma região perto da “cauda” do escorpião.

Contudo, embora brilhe com intensidade em infravermelho, como na imagem divulgada, e ainda seja cerca de 500.000 vezes mais brilhante que o do Sol em luz visível, é difícil de ser localizada no meio da infinidade de estrelas na direção do centro da nossa galáxia, a Via Láctea.

Objeto passou despercebido

Para se ter uma ideia do que ser 1.000 vezes maior que o Sol significa, imagine colocar a hipergigante IRAS 17163-3907 no lugar da nossa estrela.

Todos os planetas de Mercúrio à órbita de Marte, mais o Cinturão de Asteroides, estariam localizados precisamente dentro dela. E o planeta Júpiter orbitaria um pouco acima de sua superfície tempestuosa.

A nebulosa circundante interior, muito maior que a própria hipergigante, engolfaria e tornaria anões todos os planetas restantes e mesmo alguns dos cometas que se deslocam além da órbita de Netuno, o mais longínquo gigante gasoso do Sistema Solar.

Contudo, isso não é nada, em relação às dimensões da concha exterior, que tem um raio 10.000 vezes maior que a distância da Terra ao Sol, pouco mais de 8 minutos-luz de distância.

Embora esse objeto extravagante fosse conhecido por emitir luz infravermelha, para surpresa dos astrônomos, ninguém tinha identificado a estrela como uma hipergigante amarela, antes.

Hipergigante será a mais próxima supernova

A observação do astro, bem como a descoberta de suas conchas de poeira, foram feitos usando a câmara VISIR, que enxerga em infravermelho, radiação eletromagnética que transporta calor.

A imagem é a primeira já feita desse objeto a mostrar, claramente, a grande nebulosa formada de poeira circundante e revelar as duas conchas quase perfeitamente esféricas.

Com todas essas dimensões, as estrelas hipergigantes amarelas vivem uma fase extremamente ativa, de sua evolução curta e conturbada. Esses objetos fabulosos experimentam uma série de eventos extremamente explosivos.

A IRAS 17163-3907 não é diferente. Esta estrela ejetou com violência incomum vasta quantidade de material equivalente a 4 vezes a massa do Sol, em apenas algumas centenas de anos.

O material estelar lançado para fora durante essas erupções formou a extensa nebulosa dupla de poeira, rica em silicatos e misturada a gás.

Essa atividade também mostra que a estela vai experimentar, em breve, aquilo que será uma das próximas supernovas da Via Láctea.

As supernovas fabricam os elementos químicos que espalham no meio ambiente interestelar em volta delas, e as ondas de choque resultantes podem deflagrar a formação de novas estrelas.

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