Clima produzirá animais anãos

Mapa mostrando incremento da mudança anual na temperatura do ar até 2060, causada pela elevação das concentrações de gases do efeito estufa. Imagem by NOAA Geophysical Fluid Dynamics Laboratory (GFDL) [Public domain], via Wikimedia Commons
Mapa mostrando onde estarão as temperaturas do ar mais elevadas até 2060, consequência da elevação das concentrações de gases do efeito estufa. Imagem by NOAA Geophysical Fluid Dynamics Laboratory (GFDL) [Public domain], via Wikimedia Commons
Enquanto as temperaturas globais sobem neste século, resultado de mudanças climáticas provocadas pelo homem, muitas espécies encolherão e terão o tamanho de seus indivíduos diminuídos, graças a mudanças no meio ambiente, bem como por efeitos diretos do aquecimento.

Se todas as espécies encolhessem no mesmo ritmo, não seria de todo um problema. Vegetais de pequeno porte alimentariam peixes pequenos, que alimentariam outras espécies até o topo da cadeia alimentar, os tubarões.

Contudo, parece que esses organismos não reagem no mesmo ritmo. Logo, as mudanças climáticas provavelmente lançarão as espécies ao risco da extinção.

Esse fenômeno não é novo. Durante períodos passados de aquecimento global, algumas espécies, como besouros, abelhas, aranhas e algas diatomáceas, entre outras, encolheram de tamanho, como mostram as evidências fósseis.

Haverá períodos de estiagem mais longos

Algum encolhimento pode acontecer indiretamente, por exemplo, pela elevação da acidez dos oceanos, causado pelo aumento das emissões de dióxido de carbono na atmosfera.

Isso interfere na habilidade de alguns organismos, como os corais e as ostras, de construir suas conchas ou esqueletos de carbonato de cálcio.

A acidificação também diminui o ritmo de crescimento do fitoplâncton, plantas minúsculas que flutuam nos oceanos, e isso tem implicação na cadeia alimentar da qual é a base.

Algumas espécies vegetais deveriam prosperar sob excesso de dióxido de carbono produzido pelo homem lançado na atmosfera, porque usam a substância para produzir açúcares pela fotossíntese. Contudo, as coisas não têm funcionado assim.

O crescimento dos vegetais é altamente dependente da água, e enquanto modelos climáticos predizem que algumas regiões se tornarão mais secas e outras mais úmidas nas décadas vindouras, muitas áreas deverão experimentar variação maior das chuvas.

Isso significa períodos de estiagem mais longos, mesmo em regiões úmidas, o que iria causar redução do crescimento das espécies.

Tamanhos diminuem em regiões mais quentes

Animais de sangue frio, que são maioria, na Terra, são diretamente afetados por mudanças nas temperaturas, que aumenta o ritmo do metabolismo dessas espécies.

Isso significa que elas precisam de mais alimentos para manter seu tamanho corporal, ou então, encolherão.

As temperaturas também afetam criaturas de sangue frio pela amplificação de seus ritmos de desenvolvimento.

Assim, animais alcançarão a maturidade a tamanhos menores. Outra pesquisa estuda como isso afeta pequenos crustáceos que desempenham importante papel na cadeia alimentar marinha.

Entre animais de sangue quente, climas mais frios significam corpos maiores, porque animais maiores são mais hábeis na conservação de sua temperatura corporal. Há evidencias, contudo, de que os tamanhos diminuem, em regiões mais quentes.

Para os seres humanos, mudanças no tamanho corpóreo poderiam ser um efeito direto do suprimento de nossa alimentação, desde as culturas vegetais até os peixes.

Animais terão que alterar suas dietas

Porém, há exceções. As mudanças climáticas deverão aumentar a estação de alimentação e crescimento nas regiões de latitudes mais altas, permitindo que os organismos se tornem maiores.

Uma exceção das exceções, contudo, são os ursos polares, que estão encolhendo junto com o oceano glacial Ártico sobre o qual vivem.

Da mesma forma, animais com dietas mais variadas podem se tornar aptos a compensar a redução da oferta alimentar alterando suas dietas.

O certo é que o aquecimento global é suscetível de favorecer indivíduos pequenos e o tamanho desses organismos tende a diminuir ao longo do século.

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