Ameaça dos supervulcões

Placidez na superfície, inferno dantesco nas entranhas. A cadeia de montanhas ao fundo nada mais é que as bordas da imensa caldeira: isso aqui é o supervulcão de Yellowstone, EUA. Imagem by Ed Austin/Herb Jones [Public domain], via Wikimedia Commons
Placidez na superfície, inferno dantesco nas entranhas. A cadeia de montanhas ao fundo nada mais é que as bordas da imensa caldeira: isso aqui é o supervulcão de Yellowstone, EUA. Imagem by Ed Austin/Herb Jones [Public domain], via Wikimedia Commons
Os registros geológicos conservam pistas de que, durante os 4,5 bilhões de anos da Terra, supervulcões massivos, de longe muito maiores que o Monte Santa Helena ou o Monte Pinatubo, entraram em erupção. Entretanto, apesar das alegações daqueles que temiam o pior em 2012, não há como dizer se uma supererupção é iminente..

Um supervulcão, ou uma supererupção, são termos relativamente novos, que começaram a ser usados por geólogos recentemente para se referir a erupções vulcânicas que ejetam cerca de dez mil vezes a quantidade de magma e cinzas lançada pelo Monte Santa Helena, nos Estados Unidos, uma das erupções mais explosivas dos anos recentes.

É difícil compreender uma erupção dessa grandeza. Contudo, a superfície da Terra preserva pistas distintas de muitas erupções gigantescas.

Lago Toba quase levou homem à extinção

Extensas camadas de cinzas cobrem enormes porções de muitos continentes. E grandes depressões, ou caldeiras, crateras que chegam a medir 100 km de diâmetro, deixadas quando um vulcão colapsa depois de esvaziar por inteiro sua câmara magmática, são lembretes de antigas supererupções na Indonésia, na Nova Zelândia, nos Estados Unidos e no Chile.

Um lago, com uma enorme ilha no meio, se formou sobre a caldeira do supervulcão Lago Toba, na Indonésia. Imagem by NASA Landsat (NASA, https://zulu.ssc.nasa.gov/mrsid/) [Public domain], via Wikimedia Commons
Um lago, com uma enorme ilha no meio, se formou sobre a caldeira do supervulcão Lago Toba, na Indonésia. Imagem de satélite by NASA Landsat (NASA, https://zulu.ssc.nasa.gov/mrsid/) [Public domain], via Wikimedia Commons
A erupção desses supervulcões pré-históricos afetou áreas enormes. O derrame de lava do Lago Toba, na Sumatra, que entrou em erupção 74.000 anos atrás, no que é considerada a maior erupção que já aconteceu, liberou desconcertantes 2.800 km cúbicos de magma.

O evento cataclísmico deixou para trás uma espessa camada de cinzas sobre todo o Sul da Ásia e suas consequências severas no clima e no ambiente do mundo todo quase levou nossos ancestrais à extinção.

Em comparação, o volume de magma liberado pelo Monte Krakatoa, na Indonésia, em 1883, uma das maiores erupções da história, foi de meros 12 km cúbicos.

Registros mostram número grande de supererupções

Os vulcanólogos continuam buscando respostas para muitas questões sobre supervulcões. O que deflagra suas erupções, por que não conseguem entrar em erupção até que suas câmaras de magma alcancem tais proporções gigantescas, e como podemos prever quando o próximo supervulcão entrará em atividade, são algumas dessas perguntas sem respostas.

Contudo, há algo em que todos os especialistas concordam. Supererupções, embora ocorram, são extremamente raras e a probabilidade de que uma acontecer no tempo de vida de quem quer que leia este texto é muito rara.

A supererupção mais recente ocorreu na Zona Zelândia, cerca de 26.000 anos atrás. E a mais nova erupção cataclísmica do Lago Toba aconteceu 50.000 anos antes.

No todo, os geólogos identificaram vestígios de cerca de 50 supererupções, embora ainda avaliem vários outros possíveis megaeventos do gênero.

Isso pode significar um número realmente grande de supererupções. Contudo, quando um grupo de cientistas costuma contar todos os supervulcões conhecidos para calcular a frequência aproximada dos eventos, encontram apenas 1,4 supererupções uma vez a cada 1.000.000 de anos.

Sem ter como prever quando um explodirá

Isso não significa que uma supererupção acontece a intervalos regulares de 1.000.000 de anos. Muitos milhões de anos podem passar, sem que um supervulcão, ou muitos supervulcões, entrem em erupção em um período curto.

Os registros geológicos sugerem que tais supereventos ocorrem em grupos, mas os grupos não são regulares o suficiente para servir de base para previsões de megaerupções futuras.

Logo, os cientistas garantem não ter como prever, com precisão, se um supervulcão entrará em erupção em um determinado século, década ou ano.

Eles mantêm medições acuradas de áreas vulcanicamente ativas ao redor do mundo e garantem que não há nenhum sinal de uma supererupção iminente.

Contudo, nada dizem a respeito de recentes atividades sísmicas e ciclos de elevação e afundamento do solo, no piso da caldeira do supervulcão Yellowstone, EUA.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

quatro × três =