Majestoso rotar da Terra

A Lua serve pode servir como referncia. Foto: Tom Lima.
A Lua serve pode servir como referncia. Foto: Tom Lima.

A constatao visual de que o mundo rotava foi perturbadora. A Terra girava sob meus ps, enquanto me levava na mesma balada, sem dar satisfao a ningum. Era um movimento majestoso, suave, contnuo, e silencioso.

No post anterior, dei incio narrativa de como me veio a percepo do movimento rotacional do nosso planeta. Eu descrevia o cu cristalino, repleto de estrelas. Na verdade, era isso que me chamava ateno, como deixei claro. E, alm das estrelas, havia algo mais.

De fato, dava para ver certas manchas escuras, aqui e ali. Eram densas formaes de poeira e gs interestelares, obscurecendo a luz vinda das nuvens de estrelas mais ao fundo.

Ento, um tnue claro, sobre uma montanha a leste, denunciou a chegada iminente da Lua. Parei para aguardar esse belo fenmeno astronmico.

Como se a Lua estacionasse no cu

Quanto mais o tempo passava, mais o cu se iluminava, como se o local fosse ganhando fulgor enquanto ela subia naquele lado da Terra.

At que, finalmente, o disco da Lua surgiu, fluorescente, estendendo sombras pelo cho, agora prateado. Em poucos minutos, ela tinha se desgrudado do horizonte e flutuava livremente sobre a montanha.

A, ento, aconteceu. O ritmo do cronmetro que regula minha percepo de tempo foi involuntariamente aumentado, de forma que o relgio na Terra pareceu correr mais rpido que no espao.

De sbito, foi como se a Lua estacionasse no cu! Mas era intrigante, porque ainda havia movimento! Afinal, nosso satlite natural continuava a ganhar altura, em relao cumeeira das serranias longnquas.

Percebi o que estava acontecendo

Nesse instante, percebi o que estava acontecendo. No era o satlite que subia sobre o horizonte. Era o horizonte da Terra que descia, afundando e inclinando-se naquela direo. Por causa disso, a Lua parecia estar cada vez mais alta em relao ao topo da montanha.

Em xtase, eu me voltei para o lado oposto, para o poente, e olhei para o cu. Devido claridade da Lua, s as estrelas mais luminosas ainda eram visveis.

Entretanto, o horizonte distante, perfeitamente delineado, estava subindo, em relao s estrelas mais brilhantes, aparentemente fixas.

Eu olhei para frente, ao sul. L estava a silhueta enluarada da casa, a uns dez metros da posio onde eu estava, perfeitamente definida contra algumas estrelas ao fundo. E a casa estava se inclinando para leste!

O astro flutuava inclume no espao

Admirado, olhei para os lados e notei que no s a construo, mas todo o cho estava se deslocando. Do horizonte leste ao horizonte oeste, passando pela regio onde me encontrava, estava tudo se movendo em conjunto, como um corpo s, para leste!

Era um deslizamento lento, muito lento mesmo, silencioso, suave e estvel, porm perfeitamente perceptvel. A sensao que tinha era de que o cho onde pisava era instvel. Ali, a ss, tive a constatao. Era a realidade chocante.

O mundo estava rodando! Vi a Terra e sua camada atmosfrica envoltos em um mar de estrelas, qual uma ilha isolada no espao, girando, sem nenhuma amarra a indicao fascinante de que o astro flutuava inclume, no espao.

Velocidade rotacional supersnica

O planeta, trabalhando por si mesmo, sem dar qualquer satisfao a quem quer que fosse; a Terra inteira, a pesada e imensa esfera rochosa, de 12.756 quilmetros de dimetro e 6,6 bilhes de milhes de toneladas, estava rolando no espao, deitada sob meus ps, rotando majestosamentete.

E me levando com ela, na mesma balada! Pensei no mundo como uma ecosfera, capaz de se manter por ser grande o suficiente, em relao aos mundos artificiais de laboratrio, muito pequenos, nos quais os cientistas tentam recriar um micromundo autnomo, geralmente sem sucesso.

Eu me lembrei tambm do que tinha aprendido sobre o movimento de rotao da Terra, em torno do prprio eixo. A impressionante velocidade rotacional do planeta, prximo ao equador, onde eu me encontrava, no era nada lenta, mas supersnica.

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Como vi a Terra girar sob meus ps

Perceba a Terra girar no espao

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