Estrela decreta destino da Terra

A estrela mais próxima, que chamamos Sol:  expansão vai decretar destino da Terra. Imagem: "The sun1" por User:Lykaestria - http://www.robotbyn.se/solsystemet/images/sun.jpg. Licenciado sob Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0, via Wikimedia Commons
Vista da Terra, a estrela mais próxima, que chamamos Sol: expansão vai decretar destino da Terra. Imagem: “The sun1” por User:Lykaestria – http://www.robotbyn.se/solsystemet/images/sun.jpg. Licenciado sob Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0, via Wikimedia Commons

Embora a Lua se afaste do nosso planeta à razão de 5 cm por ano, e o Sol esteja, ele mesmo, indo embora para longe de nós, à razão anual de 15 cm, é a expansão da estrela que nos dá a vida que decreta o destino da Terra.

Os cientistas sabem hoje que a interação gravitacional do sistema Terra-Lua é responsável, em parte, pelo delicado equilíbrio ecológico que garante a manutenção da vida no Planeta Azul. Com efeito, é possível que, sem a Lua, não existisse vida, aqui.

A explicação é que a presença da Lua, relativamente próxima da Terra, estabiliza nosso planeta no espaço. Sem a Lua, a Terra não conseguiria manter sua atual inclinação orbital de 23,5º em relação ao plano da eclíptica, responsável pelas estações do ano. Sem a lua, portanto, o planeta oscilaria, algo desastroso para a vida.

Porém, a Lua já esteve bem mais perto da Terra que hoje e ala se afasta de nós cerca de 5 cm por ano. Desde que Armstrong pisou na Lua, há quase 43 anos, aquele mundo já se afastou quase 2,15 m.

Matéria vira energia      

Ou seja, hoje, o módulo lunar Eagle teria ficado flutuando para que Armstrong literalmente pulasse do último degrau da escala para a superfície empoeirada do satélite.

O afastamento da Lua não é o mais grave para a vida, porém. Muito pior, o Sol está indo embora. Ou melhor, a Terra se afasta do Sol, à razão de 15 cm por ano. Em dez anos, estamos 1,05 m mais longe e em 86 anos, nós nos afastamos 12,9 m da estrela que nos garante a vida. A razão é que o Sol está continuamente perdendo massa enquanto transforma matéria em energia, o que diminui sua gravidade.

Contudo, ainda não é o pior. Não é o afastamento do Sol que determina nosso destino. Há algo mais grave. O Sol se expande e fica maior ao ritmo médio de 3,5 cm por ano e com isso, fica mais energético e luminoso.

Fim do hidrogênio no núcleo da estrela

Em 1,5 bilhão de anos, o Sol estará maior e mais brilhante e Terra receberá mais calor, se tornando mais quente. A água começará a evaporar, extinguindo a vida na superfície do planeta.

Se estivermos vivos até lá, já teremos nos mudado para abrigos subterrâneos. Ou, de preferência, espero, migrado para um mundo mais distante e mais seguro, porque o pior está por vir.

Os oceanos da Terra continuarão a secar, na medida que um aumento da radiação ultravioleta do Sol quebrar as moléculas de água em seus átomos, hidrogênio e oxigênio.

Em mais 1 bilhão de anos, não haverá mais água no planeta e nem poderá mais ter, já que todo o hidrogênio terá escapado para o espaço.

Mas o Sol continuará a inchar, enquanto esgota seu combustível, o hidrogênio, no núcleo da estrela, o que acontecerá por volta de 5 bilhões de anos no futuro.

Um astro imenso enche todo o céu

Enquanto queima hidrogênio em suas camadas superiores, o Sol continuará a crescer e se expandir. Cerca de 1,5 bilhão de anos depois, quando também estará mais luminoso e energético, engolirá o planeta mais perto, Mercúrio.

Vênus irá em seguida e logo depois, se a nova circunstância gravitacional não empurrar nosso planeta para longe, a superfície já avermelhada e muito tempestuosa do monstro tocará a órbita da Terra.

O que era nosso amado Sol estará se tornando um astro imenso, enchendo todo o céu, uma gigante vermelha, mil vezes mais energético.

A força gravitacional da estrela moribunda se enfraquecerá e o Sol, 500 vezes maior e com sua superfície se posicionando além da órbita de Marte, começará a ejetar suas camadas exteriores, em soluços agonizantes, no espaço próximo.

Mundo alienígena em outra estrela

Enquanto isso, ficará para trás o núcleo da estrela, contendo basicamente oxigênio. O que era nosso glorioso Sol terá se tornado uma anã branca, com cerca da metade de sua massa primordial espremida em uma esfera do tamanho do nosso planeta, porém, extremamente densa, algo como o conteúdo de uma casa, ela incluída, espremida até o tamanho de uma bola de ping-pong.

A anã branca continuará emitindo radiação ultravioleta, fazendo brilhar e ao mesmo tempo se expandirem no espaço as camadas exteriores gasosas do Sol, formando uma nebulosa planetária, semelhante à Nebulosa do Anel, vista hoje na constelação de Lira.

Nessas alturas, pode ser que nós, os terráqueos, tendo escapado para um lugar distante e seguro, talvez numa das luas de Júpiter ou Saturno, ou mesmo em um mundo alienígena orbitando outra estrela, testemunhem a anã branca do que era o Sol perder sua energia lentamente, até esfriar e se extinguir.

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