Mancha gigante no Sol

Impressão artística do que seriam enormes manchas na superfície de uma estrela como o Sol. A imagem à esquerda seria em luz visível. A outra, com um filtro que capta emissão de cálcio. Imagem Kioto University.
Impressão artística do que seriam enormes manchas na superfície de uma estrela como o Sol. A imagem à esquerda seria em luz visível. A outra, com um filtro que capta emissão de cálcio. Imagem Kioto University.

Imagine o Sol exibindo uma enorme mancha escura como nesta ilustração. Assustador, não? Nossa estrela pode já ter ficado assim e provavelmente ficará novamente.

Pelo menos nos tempos históricos, a estrela mais próxima nunca exibiu nada parecido com uma gigantesca área escura, capaz de cobrir a maior parte de sua superfície luminosa.

Atualmente, a atividade da estrela mais próxima parece estar diminuindo e alguns cientistas já acreditam que o Sol está “enfraquecendo” para chegar a um nível nunca visto desde o famoso Mínimo de Maunder, entre 1645 e 1715.

Naquele período, também chamado de Pequena Idade do Gelo, as temperaturas na Europa e América do Norte ficaram mais frias que a média e as geleiras avançaram.

Ciclos desconhecidos

Certo é que a atividade do Sol tem ciclos com pequena duração, mas também tem uns que duram milênios, senão, milhões de anos.

Se nossa estrela teve um período de pouca atividade entre 1645 e 1715, é provável que volte a ter novamente.

Contudo, o tempo histórico, da nossa civilização, é bem curto, em relação aos bilhões de anos da vida do Sol. Não sabemos como nossa estrela se comporta em ciclos de tempo maiores que milhares de anos.

O que sabemos, observando outras estrelas semelhantes à nossa, em tamanho, composição e idade, é que esses sois eventualmente entram em períodos de atividade maior que o normal.

O Sol não é um objeto sólido, mas uma esfera formada por gases superaquecidos e ionizados, chamado plasma. O magnetismo do Sol é gerado pelo movimento das camadas internas da estrela.

Normalmente o Sol exibe poucas e pequenas manchas solares, como estas, visíveis em 22 de junho de 2004. Imagem: Wikimedia Commons

Normalmente o Sol exibe poucas e pequenas manchas solares, como estas, visíveis em 22 de junho de 2004. Imagem: Wikimedia Commons

Quanto maior a atividade magnética, maior é o número de manchas solares e maior a energia liberada. Inversamente, se há pouca atividade magnética, o Sol irradia menos energia. A atividade solar relacionada às manchas ocorre em ciclos, normalmente de 11 anos.

Quantidade colossal de energia

Quando há muita atividade magnética, há um tipo de evento chamado “flares”, em inglês, intenso clarão que irrompe abruptamente perto da superfície do Sol com energia equivalente a até 160 bilhões de megatons de TNT.

Essas irrupções colossais de energia são acompanhadas de ejeção de matéria solar, nuvens de elétrons, íons e átomos lançados a velocidade hipersônica no espaço e que podem atingir a Terra, com danos consideráveis sobretudo às nossas instalações elétricas.

Normalmente, essas irrupções de energia são relacionados a atividade magnética, e portanto, à formação de manchas solares.

Atividades semelhantes têm sido observadas em estrelas semelhantes ao Sol, nas profundezas do espaço. Só que em escalas muito superiores, bem maiores do que as que estamos acostumados a testemunhar por aqui.

Estrela coberta por manchas escuras

Um superflare é dezenas de milhares de vezes mais poderoso que o mais energético flare já observado no Sol.

Muitas estrelas semelhantes à nossa sofrem eventual diminuição de sua brilhância. Segundo muitos cientistas, isso ocorre porque gigantescas manhas estejam cobrindo boa parte da superfície delas. Ou tais estrelas estejam sendo inteiramente cobertas por manchas.

Enquanto no Sol as manchas surgem e desaparecem em questão de dias, a observação astronômica mostra que, nessas estrelas, elas duram meses.

Resultados de medições feitas em diferentes regiões Terra sugerem intensa atividade solar no passado remoto da Terra. Os cientistas especulam se esses registros são relacionados a prováveis superflares.

Se esse tipo de evento assustador aconteceu no passado, pode acontecer novamente no futuro.

Os cientistas continuam monitorando a atividade da estrela mais próxima, esperando encontrar pistas que possam ajudar a prever seu comportamento.