Supereclipse da Superlua

Eclipse total da Lua, em dezembro de 2010, visto de Miami (EUA). Imagem por Aaron1a12 (Trabalho próprio pelo carregador) [CC BY 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0)], undefined

Eclipse total da Lua, em dezembro de 2010, visto de Miami (EUA). Imagem por Aaron1a12 (Trabalho próprio pelo carregador) [CC BY 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0)], undefined

 A próxima Lua Cheia será a maior Superlua do ano, acontecerá na noite de um domingo e, para completar, será o último eclipse total do satélite de uma série de quatro em sequência, até 2.032.

Séculos atrás, um eclipse da Lua permitia aos sábios de então deduzir, pela forma da sombra da Terra projetada na superfície do satélite, que nosso planeta era redondo, e não plano.

Hoje, um eclipse desse tipo serve mais para deleite dos terráqueos do que para estudos científicos. O próximo acontecerá na noite de 27 para 28, domingo para segunda-feira. Será um evento astronômico singular, por uma série de fatores.

Primeiro, acontecerá durante uma Superlua particularmente grande. Depois, finalizará uma tétrade de eclipses lunares totais.

Terceiro, a Lua ingressará totalmente na umbra – a sombra que a Terra projeta no espaço – por longa 1 hora e 12 minutos. Será, possivelmente, a maior lua eclipsada por mais tempo que você jamais viu, ou verá.

Primeiro, a Superlua

Mas, a Superlua não nascerá já eclipsada. Do nascimento da Lua, a leste, até o início do eclipse, haverá um intervalo de tempo de cerca de 3 horas. Portanto, você terá apenas que apreciar a Lua, em si. E estará esplendorosa.

A órbita do satélite natural da Terra não é perfeitamente circular. Em vez disso, o satélite circunda este planeta descrevendo uma órbita elíptica.

Assim, ora ela está mais longe (apogeu), ora, mais perto (perigeu). Neste perigeu, o satélite estará na maior proximidade da Terra no ano, 356.876 km.

Na verdade, estará 49.588Km mais perto em relação ao apogeu do dia 14 deste mês, quando foi Lua Nova ela se distanciou a 406.464Km.

Superlua: comparação do tamanho aparente da Lua, durante apogee (à direita) e perigee. Imagem by Marcoaliaslama (Own work) [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0) or GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html)], via Wikimedia Commons

Superlua: comparação do tamanho aparente da Lua, durante apogee (à direita) e perigee. Imagem by Marcoaliaslama (Own work) [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0) or GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html)], via Wikimedia Commons

Ora, este planeta mede 12.756,6Km de diâmetro, no equador. Logo, no próximo perigeu a Lua estará mais perto o equivalente a 3,8 terras enfileiradas.

Em consequência, será visualmente 14% maior em diâmetro e 30% mais brilhante. Vale lembrar que o perigeu ocorrerá 59 minutos antes do momento correspondente ao meio do eclipse.

Além de ser durante uma Superlua particularmente interessante, o próximo eclipse total da Lua encerrará uma tétrade, série de quatro eclipses totais em sequência.

A última vez em que isso ocorreu foi em 2003-2004. A próxima tétrade vai começar em 15 de abril de 2032, embora esteja previsto um eclipse total isolado da Lua bem antes disso, em 31 de janeiro de 2018.

Como moro e vivo a poucos quilômetros da região geográfica do planeta onde a Lua estará no zênite, no auge do eclipse, terei o privilégio de acompanhar o fenômeno desde o seu início.

Contudo, o evento poderá ser visto, com variado grau de visibilidade, em uma ampla região do globo que vai da parte ocidental do Alasca, na América do Norte, à Índia.

Quando ele ocorrer, a Lua estará na constelação de Peixes e em seu deslocamento orbital para leste, ingressará na penumbra da Terra pelo seu bordo leste.

Agora, o supereclipse

Na verdade, o cone de sombra projetado por este planeta, no espaço, é formado pela penumbra e pela umbra.

A penumbra corresponde à escuridão que não é total, porque contém luz dispersada pela atmosfera terrestre. A umbra é a região de sombra mais densa, envolta pela penumbra.

Este próximo eclipse tem a particularidade de a Lua passar inteiramente dentro da umbra, na qual passará mais tempo do que em eventos anteriores

Enquanto a Lua estiver na penumbra, praticamente não se perceberá muita coisa. O evento só será mesmo mais atraente quando o satélite finalmente for apanhado pela umbra.

Nesse momento, a Lua terá uma tonalidade avermelhada, correspondente à luz dispersada pela poluição, na atmosfera terrestre.

Quando começa

Tecnicamente, um eclipse lunar começa quando o satélite toca a penumbra. Isso acontecerá às às 21h02, horário de Brasília.

Às 22h07, estará totalmente dentro da penumbra, quando também começará a fase parcial do eclipse.

Às 23h11, terá início o eclipse total, quando a Lua estará inteiramente na umbra. O meio do evento será às 23h48.

Neste preciso momento, um lunático olharia na direção da Terra e veria uma bola escura encobrindo com uma auréola avermelhada em volta.

Aos 23 minutos do dia 28, terminará a fase total do eclipse, quando a Lua estará imersa na penumbra; e à 1h27, termina a fase parcial. Finalmente, às 2h23, a Lua sairá inteiramente da penumbra pelo seu bordo oeste e tudo terá terminado.