Seres vivos em Vênus?

Imagem de uma possível criatura venusiana. Fonte:  http://ria.ru/science/20120120/544264872.html

Imagem de uma possível criatura venusiana. Fonte: http://ria.ru/science/20120120/544264872.html

Enquanto o planeta Vênus passa por trás do Sol, neste mês, para reaparecer em nossos céus ao anoitecer, no começo de dezembro, deu na imprensa que seres vivos possivelmente existem naquele planeta.

Renomado cientista russo fez nova análise das imagens da superfície de Vênus captadas pela sonda soviética Venera 13, em 1982, e diz ter achado seres vivos. Uma dessas criaturas venusianas lembra um escorpião terrestre.

O alargamento do saber científico a cerca dos seres extremófilos, que vivem na Terra, mas em condições de acidez, pressão e temperatura antes consideradas impossíveis para abrigar a vida, levou os cientistas a expandir as possibilidades de encontrar outros mundos habitados.

Somado a isso, novas técnicas de tratamento de imagens, que permitem ver detalhes onde antes nada se via de interessante, estão levando os planetologistas ao reestudo de antigas fotografias espaciais, com resultados surpreendentes.

Nuvens de dióxido de enxofre e ácido sulfúrico

Pois o cientista russo Leonid Ksanfomaliti, do Space Research Institute, da Academy of Sciences, da Rússia, encontrou o que garante serem formas de vida, em fotos da sonda espacial soviética Venera 13, que pousou em Vênus nos anos 1980.

A Venera 13 era parte do Programa Venera, com o qual os cientistas da extinta União Soviética foram os primeiros a pousar uma sonda em outro planeta, no caso, Vênus.

A sonda russa Venera  13, que pousou em Vênus em 1982 e fez a imagem polêmica. Fonte: Wikimedia Commons

A sonda russa Venera 13, que pousou em Vênus em 1982 e fez a imagem polêmica. Fonte: Wikimedia Commons

Vênus, como se sabe, tem temperaturas máximas, à superfície, de 480ºC. Sua atmosfera é densa e 96,5% dela é dióxido de carbono, com nuvens de dióxido de enxofre e ácido sulfúrico.

Como se não bastasse, ventos de 300 km/h costumam varrer a superfície, enquanto a pressão atmosférica equivale à encontrada a 1 km de profundidade sob os oceanos, na Terra.

A sonda pousou naquele planeta em 1º de março de 1982 e fez imagens da superfície desse que parece o inferno dantesco. Essas imagens agora estão chamando atenção.

Objetos se movem com características de seres vivos

Leonid Ksanfomaliti, que é doutor em Ciências Físicas e Matemática, dedicado ao estudo do Sistema Solar e sistemas planetários com mais de 300 artigos científicos publicados, diz ter encontrado nas imagens da Venera 13 objetos que se movem que apresentam características de seres vivos.

Segundo o site Voz da Rússia, Ksanfomaliti é crítico do postulado pelo qual os cientistas devem procurar vida em outros planetas que tenham condições parecidas com a Terra, o que descreve como “nacionalismo terrestre”.

A seguir, o cientista, que segundo o site publicou artigo sobre isso na revista científica russa Astrnomicheski Vestnik, ou Solar System Research (Pesquisa sobre o Sistema Solar, em tradução livre), questiona se não seria possível encontrar vida em mundos de condições completamente diferentes das terrestres.

A edição on line do jornal russo Pravda.ru deu mais detalhes sobre o que Ksanfomaliti encontrou nas imagens antigas da Venera 13.  O site informa que o cientista se interessou em rever as imagens “devido a novos dados sobre exoplanetas de massa relativamente pequena, mas com sinais de vida”.

Criatura que lembra um escorpião deixa marcas no solo

A reportagem informa que as séries panorâmicas filmadas em Vênus pelas sondas Venera foram feitas por meio de câmera opto-mecânica de digitalização fotométrica.

Solo venusiano, pela sonda Venera 13. Fonte: Wikimedia Commons

Solo venusiano, pela sonda Venera 13. Fonte: Wikimedia Commons

Os panoramas filmados especificamente pela Venera 13 contêm, segundo o cientista, objetos de 10 cm a 50 cm que mudam de posição e tamanho, ao longo do tempo.

Entre os objetos mais interessantes, estão um disco que muda de tamanho, uma mancha negra, e o que lembra um escorpião, que aparece no minuto 90 e desaparece 30 minutos mais tarde. Contudo, ao caminhar, o “escorpião” deixa marcas no solo.

Ksanfomaliti lembra que, no início de sua operação em Vênus, a Venera 13 fez barulho ao disparar e perfurar o solo. Ele acha que parte dos habitantes daquele mundo teria deixado a zona de perigo e não mais são vistos.

Alguns deles, como o escorpião, contudo, teriam sido soterrados e gradualmente liberados, reaparecendo nas imagens com atraso de meia hora.

Ele promete divulgar, em breve, mais novidades que surgirem da análise das imagens, trabalho que continua.