Viagem sem volta: para as estrelas

 

Espaçonave Interestelar de Bussard. Concepção artística "Bussard Interstellar Ramjet Engine" por NASA. Licenciado sob Public domain, via Wikimedia Commons

Espaçonave Interestelar de Bussard. Concepção artística “Bussard Interstellar Ramjet Engine” por NASA. Licenciado sob Public domain, via Wikimedia Commons

Talvez o leitor saiba que nós, habitantes do planeta Terra, estamos já há décadas angariando recursos e projetando a espaçonave e que nos levará a outra estrela, que não o Sol. Se ainda não sabe, veja o que está sendo feito.

A primeira vez que tomei conhecimento de que grupos de visionários tinham dado a largada nesse sentido foi há 28 anos, nas páginas da revista Ciência Ilustrada, que comprei, no dia 1º de junho de 1984.

Era a edição nº 17, ano II, daquela revista, que guardo comigo, em perfeitas condições de conservação, até hoje. Mais recentemente, há cerca de duas semanas, tive a satisfação de receber, em casa, a edição de julho da revista norte-americana Astronomy, da qual sou assinante há uns 15 anos, trazendo viagens interestelares como matéria de capa.

Não há dúvidas de que jornadas interestelares são um assunto fascinante, especialmente para mim, um entusiasta das viagens espaciais.

Aliás, fosse por mim, nós, terráqueos, já teríamos fincado a bandeira azul de nossa civilização terrestre não só em majestosas estações orbitais em volta da Terra, mas na Lua, Marte, e outros locais do Sistema Solar. Não só em busca de recursos minerais que possamos usar, como também garantia de sobrevivência de nossa espécie.

Implicações de uma jornada interestelar

Contudo, viagens interestelares são a fronteira final da nossa aventura cósmica e, apesar de serem ainda um sonho distante, saiba, o leitor, que há milhares de pessoas trabalhando nisso. Agora.

De fato, as viagens interestelares interessam a cada vez mais terráqueos e o assunto é discutido até mesmo por instituições governamentais.

Meses atrás, por exemplo, houve um simpósio para tratar do assunto, com participação de instituições privadas e governamentais, como a NASA, a agência espacial norte-americana, e a famosa Agência de Defesa e Pesquisa de Projetos Avançados, Darpa.

Darpa é nada mais nada menos que uma espécie de laboratório secreto do Pentágono, que abriga a Secretaria de Defesa e o Estado Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, a maior potência militar, econômica, industrial e tecnológica que o ser humano já construiu.

A bordo de um asteroide oco

O simpósio aconteceu, claro, nos Estados Unidos e nele, foram discutidos assuntos que tratam da tecnologia necessária e até mesmo das implicações sociológicas e psicológicas de uma jornada interestelar.

Apesar de ninguém estar construindo uma, já existem várias propostas de espaçonaves e sistemas propulsores capazes de vencer as incríveis distâncias interestelares.

Algumas são mirabolantes e parecem mais ficção científica, como o Projeto Hipérion, pelo qual os viajantes singrariam o vasto espaço a bordo de um imenso asteroide oco, adaptado para funcionar com uma nave.

Outros estudos levam em conta teorias que ainda são pura especulação matemática, como dobras do espaço-tempo e buracos de vermes.

Contudo, uma das propostas mais viáveis, do ponto de uma tecnologia que já dominamos ou estamos em vias de dominar no futuro bastante próximo, é o Projeto Ícaro.

O Projeto Ícaro foi concebido em 2009, pela Sociedade Interplanetária Britânica, mas sua origem foi o Projeto Dédalo, de 1973.

Microexplosões de hidrogênio

A equipe de projetistas da sociedade mantém um site na internet, Ícaro Interestelar, que tem como missão declarada colocar uma espaçonave na rota das estrelas, por volta de 2100.

Engenheiros, designers, escritores e cientistas de diversas áreas trabalham na viabilidade da nave interestelar Ícaro, que seria movida a energia termonuclear. Centenas de microexplosões de hidrogênio por segundo garantiriam uma velocidade estimada de até 15% da velocidade da luz, que viaja a quase 300.000 km por segundo.

Nesse ritmo, a nave alcançaria a estrela Próxima, na constelação do Centauro, a que fica mais perto do Sol, 4,3 anos-luz de distância, em 50 anos.

Ainda não se sabe se Próxima tem um planeta habitável, mas a estrela Épsilon, da constelação do Erídano, que fica a 10,5 anos-luz daqui, tem exoplanetas já identificados. Uma viagem até lá levaria cerca de 80 anos.

Sem dúvida, é muito tempo e não se sabe o que aconteceria com a tripulação, nesse longo intervalo. Na minha opinião, contudo, essa tremenda limitação é consequência da idealização de um projeto fundamentado no contexto físico da realidade, que só tem sentido no emprego da força bruta.

Vastidão do meio interestelar

Em acredito que recursos inerentes à essência própria do Cosmo podem ajudar a transpormos a vastidão do meio interestelar na velocidade do… pensamento.

Tipo assim: a gente pensa em ir para certa estrela, não importa a que distância esteja, e chega lá, instantaneamente. Já escrevi um post sobre esse assunto.

Bem, espaçonaves capazes de cobrir, num piscar de olhos, as vastas distâncias entre as estrelas, lembram passes de mágica. Pode ser.

O visionário Arthur C. Clarke disse, certa vez, que “qualquer tecnologia bastante adiantada vai buscar suas origens na magia”.

Eu cresci assistindo à TV em volumosos tubos de raios catódicos. Quando vi as delgadas e levíssimas telas coloridas de cristal líquido funcionando, pela primeira vez, me pareceram artefatos mágicos e me senti transportado para a Idade da Pedra.