Ofensas e a essência do ser

Estrelas Sírio B, pequena e azulada, à direita, gira em torno de Sírio A, maior e branca: o Universo é maior e mais interessante que ofensas. Imagem: "Sirius A and B artwork" por NASA, ESACredit: G. Bacon (STScI) - http://www.spacetelescope.org/images/html/heic0516b.html. Licenciado sob Public domain, via Wikimedia Commons - http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sirius_A_and_B_artwork.jpg#mediaviewer/File:Sirius_A_and_B_artwork.jpg

Estrelas Sírio B, pequena e azulada, à direita, gira em torno de Sírio A, maior e branca: o Universo é maior e mais interessante que ofensas. Imagem: “Sirius A and B artwork” por NASA, ESACredit: G. Bacon (STScI) – http://www.spacetelescope.org/images/html/heic0516b.html. Licenciado sob Public domain, via Wikimedia Commons – http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sirius_A_and_B_artwork.jpg#mediaviewer/File:Sirius_A_and_B_artwork.jpg

Ofensas não atingem a essência do seu ser. Portanto, não dê bolas a provocações. Lembre-se que você é mais importante que elas.

Às vezes, na minha condição puramente humana, ou seja, criatura dotada, também, de sentimentos, tenho a tendência a pensar que, em uma acalorada teima sobre um assunto sobre o qual discordo, tenho que ser o último a falar.

Como se quem fala por último se torna plenamente vitorioso durante uma situação dessas. Contudo, termino percebendo que isso tudo é um engano e uma grande bobagem.

Ser o penúltimo a falar pode, sim ser muito melhor, e uma vantagem, sobre o último. Lembro que, quando ainda era criança, um primo, que neste momento mora distante, falou algo a respeito que, ainda hoje, guardo como verdade.

“Tenho medo das suas conclusões silenciosas”

Bem, é normal que crianças tenham teimas acaloradas, mas parece que eu não era de teimar, não. Ou pelo menos, não muito frequentemente.

Meu primo disse, e me recordo muito bem, pois isso me marcou, que ficava preocupado, e até mesmo temeroso, quando falava algo para mim e eu não manifestava minha opinião, dando o silêncio como resposta.

Ele disse que tinha receios do que se passava em minha mente, enquanto mantinha meu silêncio. “Não posso saber quais conclusões você tira quando fica calado e tenho medo delas”, revelou.

Na verdade, eu ficava calado não enquanto, nos subterfúgios de minha mente, arquitetava algo pior.

Antes, ficava calado simplesmente porque não tinha uma resposta a dar melhor que a dele. Mas claro que, na minha vontade infantil de ser maior que ele, tal declaração soou como uma vitória desmesurada.

Deixe dizer o que pensa

Não sei que conclusão meu primo tirou dessa sua compreensão sobre teimas, ou se ele tirou algum proveito que use rotineiramente.

De minha parte, porém, foi muito útil. Tirei, sim, uma lição muito importante que uso sempre. Não preciso, e não quero, ser o último a falar. Não vejo mesmo nenhuma necessidade, disso.

Quem se recusa a ser o último a falar, e com tal atitude pretender ser o dono supremo da verdade, demonstra sabedoria, serenidade, inteligência e maturidade.

Melhor é deixar o oponente falar. Deixe que fale. E se, diante disso, lhe disser ofensas, ou fizer alguma provocação com o intuito de forçar você a reagir, mesmo assim, ignore.

Isso mesmo, não caia na provocação. Afinal, tenha sempre isso em mente, todas as ofensas de mundo, e todas as provocações do Universo, não são capazes de atingir sua essência, aquilo que você é.