Oceano álien com 1,6km de profundidade

Marte há 1 milhão de anos:   intensa era glacial. Imagem by NASA/JPL/Brown University [Public domain], via Wikimedia Commons

Marte há 1 milhão de anos: intensa era glacial. Imagem by NASA/JPL/Brown University [Public domain], via Wikimedia Commons

O antigo oceano de Marte, que equivalia, em volume, ao nosso Oceano Glacial Ártico, cobriu 20% da superfície do planeta, se concentrava no hemisfério norte do astro, e tinha uma profundidade máxima de 1,6 km.

Isso foi num passado remoto, quando o planeta vermelho tinha um clima mais ameno com nuvens cobrindo os céus.

Por essa época, Marte tinha chuvas que formavam lagos e rios que corriam para mares interiores e para o imenso oceano.

E, se a ocorrência de água líquida na Terra possibilitou a origem e evolução de seres vivos, é provável que o mesmo processo tenha ocorrido lá.

Contudo, se Marte teve um passado morno e aquoso, repleto de vida, hoje o astro está frio e árido e, aparentemente, sem vida. Para onde foi toda aquela água? E os seres vivos?

Parte dele se evaporou e se perdeu no espaço e parte se mantém na forma de gelo, que atualmente cobre cerca de 13% da superfície marciana. Há também água na atmosfera na forma de vapor, equivalente a cerca de 0,01% da água que se estima existir no planeta.

Aquíferos subterrâneos em Marte

Parte da água que enchia oceano e mares de Marte se evaporou e se perdeu no espaço. Mas há evidências de que parte considerável dela está no subsolo do planeta, enchendo caudalosos aquíferos debaixo do chão.

Ainda não se sabe onde estão os reservatórios subterrâneos. Mas, e os seres vivos?

Ora, Marte, assim como o planeta onde vivemos e todos os outros, se originaram a partir da nebulosa solar, composta de gás e poeira do que sobrou da formação da estrela.

Os planetas rochosos se formaram da colisão e aglomeração, pela gravidade, de pequenas partículas de matéria que juntaram para formar corpos maiores.

Mapa topográfico  de Marte mostrando áreas mais baixas, em azul, e mais altas. O antigo oceano encheu toda a área azulada. Imagem by NASA / JPL / USGS [Public domain], via Wikimedia Commons

Mapa topográfico de Marte mostrando áreas mais baixas, em azul, e mais altas. O antigo oceano encheu toda a área azulada. Os círculos à direita são, respectivamente, os polos  Norte e Sul. Imagem by NASA / JPL / USGS [Public domain], via Wikimedia Commons

Colisões entre esses corpos formaram objetos maiores que pararam de se juntar cerca de 100.000 anos após a formação do Sol.

A partir daí, os planetas rochosos ganharam tamanho e massa, até atingirem as dimensões atuais, mediante colisões e fusões com objetos errantes nos 100 milhões de anos seguintes.

Cerca de 4 bilhões de anos atrás, entre 500 e 600 milhões de anos após a formação do Sol, os planetas interiores sofreram o Pesado Bombardeio Tardio, uma chuva de cometas e asteroides cujas cicatrizes podem ser vistas hoje, na Lua.

A água surgiu na Terra e em Marte ao mesmo tempo, cerca de 4 bilhões de anos atrás e a vida emergiu nos dois planetas há 3,85 bilhões de anos, após o Pesado Bombardeio Tardio.

Meteoritos denunciam água abundante

Bem, sabemos que este planeta manteve suas reservas de água praticamente intactas, enquanto Marte perdeu seus oceanos. Quando?

Teorias mais aceitas sugerem que a água, antes abundante, começou a secar há 2 bilhões de anos, para acabar quase que completamente há cerca de 1 bilhão de anos. Mas…

Meteoritos de origem marciana, encontrados na Terra, sugerem que estiveram em ambiente aquoso marciano em eras tão recentes quanto 620 milhões de anos.

Contudo, Marte apresenta água líquida mesmo hoje, embora não em grandes porções na superfície.

De fato, ela emerge do subsolo periodicamente, em certas regiões, abrindo gargantas e ravinas para escorrer na superfície, encharcando o solo e evaporando em seguida.

Neste detalhe, são visíveis leitos de rios secos e deltas,   escorrendo para regiões mais baixas à direita, onde enchiam mares. Imagem by Kasei_Valles_topo.jpg: Areong derivative work: Aldaron (talk) 20:26, 4 September 2012 (UTC) (Kasei_Valles_topo.jpg) [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0) or GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html)], via Wikimedia Commons

Neste detalhe, são visíveis leitos de rios secos e deltas, escorrendo para regiões mais baixas à direita, onde enchiam mares. Imagem by Kasei_Valles_topo.jpg: Areong derivative work: Aldaron (talk) 20:26, 4 September 2012 (UTC) (Kasei_Valles_topo.jpg) [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0) or GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html)], via Wikimedia Commons

Parte da água se encontra na forma de glaciares, encontrados em algumas regiões, como Ismenius Lacus.

Entrando em período interglacial

Mas, assim como a Terra, Marte passa por periódicas eras glaciais, devido a mudanças cíclicas na inclinação do eixo do planeta em sua órbita em torno da estrela mais próxima.

Uma dessas eras glaciais ocorreu entre 2,1 milhões de anos e 400.000 anos atrás. O planeta está, atualmente, em um período interglacial que já dura 300.000 anos, intervalo de tempo aparentemente longo, mas que é quase nada, em termos geológicos.

Em minha opinião, o planeta está se aquecendo na medida em que emerge de sua última idade do gelo particularmente severa, como abordei em Marte saindo de era glacial.

Quanto à vida, creio que Marte conserva sua biosfera. Seres vivos, tanto animais quanto plantas, podem estar vivendo tranquilamente em ambientes marcianos menos inóspitos, principalmente em cavernas no subsolo.