O terremoto que mudou o planeta

Panorama da cidade japonesa de Sendai, após tsunami que se seguiu a terremoto, em março de 2011. Imagem por U.S. Navy photo [Public domain], via Wikimedia Commons

Panorama da cidade japonesa de Sendai, parcialmente submersa após tsunami que se seguiu a terremoto, em março de 2011. Imagem por U.S. Navy photo [Public domain], via Wikimedia Commons

O terremoto que devastou parte do Japão, em 11 de março de 2011, mudou o planeta, ao deslocar o leito marinho em até 50 m, o maior deslizamento já registrado, e alterar a duração dos dias e das noites, que ficaram mais curtos.

O gigantesco movimento causou o massivo tsunami, com ondas de quase 50 m de altura que percorreram até 10 km em terra, matando mais de 15.000 pessoas e danificou a usina nuclear Fukushima Daiichi.

O tremor, que atingiu 9 graus na escala Richter, foi o 7º maior da história, e assolou a costa nordeste do Japão, provocando danos avaliados em R$ 333 bilhões, ou 16,9 trilhões de ienes.

O poderoso sismo teria liberado energia equivalente a 27.000 bombas atômicas como a que devastou Hiroshima, na Segunda Guerra Mundial, e teve epicentro a 130 quilômetros de Sendai, na ilha de Honshu, com profundidade de 24,4 km.

O tremor moveu toda a ilha de Honshu, a principal do arquipélago japonês, em quase 4,5 m para leste. A gigantesca placa tectônica do Pacífico inteira, que normalmente se desloca cerca de8,5 cm por ano, se moveu abruptamente mais de 20 metros para oeste.

Alterou o próprio planeta, que teve seu eixo de rotação em cerca de 20 cm, mudando seu período de rotação e, portanto, a duração dos dias e das noites, que ficaram mais curtos em 1,8 milissegundo.

Foi o mais forte terremoto já registrado no Japão e o quarto maior de todo o mundo desde que os registros começaram a ser feitos, em 1900.

Zonas de subducção

O leito marinho se elevou 10 m. O Japão se situa próximo a uma zona de subdução. Zonas de subducção são regiões onde uma placa tectônica mergulha sob outra.

É onde os cientistas podem observar, diretamente, o movimento das peças que formam a crosta da Terra, até o limite de uma linha de falha.

Deslocamentos geram tsunamis

Uma vez que terremotos em zonas de subdução ocorrem em elevadas profundidades oceânicas, são invisíveis, de terra firme. No passado, os cientistas tinham que deduzir deslocamentos do leito marinho por meio de ondas sísmicas, emitidas por um terremoto.

Porém, isso requeria modelos computadorizados e os resultados podiam ser frustrantemente incertos. Por exemplo, os estudos eram específicos para um modelo e não podiam capturar deslocamentos em alta resolução, ou com grande precisão.

Essas medições incluem também tremores subsequentes, bem como pequenos movimentos, menos destrutivos, que no entanto, podem ter ocorrido antes do sismo do início daquele ano.