O poder da humildade

A humildade torna as pessoas mais simples e humanas. Imagem: divulgação

A humildade torna as pessoas mais simples e humanas. Imagem: divulgação

Este artigo eu escrevi na segunda quinzena de novembro de 1993 e foi, acredito, um passo importante na construção da teoria refracionária.

Talvez o contexto geral da teoria já estivesse em minha mente e, ao escrever o artigo, comecei, de certa forma, a dar vazão ao seu conteúdo. Acho, hoje, que sem a noção do que seja humildade, não teria chegado ao refracionismo, porque a imersão em seu significado intrínseco requer uma grande dose dela.

O artigo sobre humildade é o seguinte, com uma pequeníssima adaptação.

Para começar, o que vem a ser humildade? Essa é uma flexão de humilde, que humus, o que trabalha os pés (descalços) no chão. De acordo com uma definição comum, humildade é a qualidade de quem não se mostra superior, em sentido amplo.

Quem é humilde conhece suas próprias limitações e aceita que assim seja. Com relação a outras pessoas, não pretende ser melhor do que elas. Portanto, é uma virtude.

Por que é difícil, às vezes, alguém ser humilde? Se a questão envolve outras pessoas, ache que ficaria sujeita aos outros, acreditando que poderia ser manobrada.

A humildade é a porta de acesso à compreensão

Talvez entenda que, ao ser humilde, estaria se humilhando em relação ao próximo, tornando-se pequena e desprezível. Devido a isso, tem medo.

Em minha opinião, é um engano. A humildade deveria ser a porta de acesso à compreensão. É através dela que se é capaz de amar o próximo. Como tornar o amor realizável sem humildade? Impossível, certamente.

Uma pessoa humilde tem controle emocional. Uma pessoa humilde é alguém maduro, reconhecível por suas atitudes que denotam sabedoria quanto ao que sejam suas reais necessidades e, pelo menos, o rumo do que sejam as necessidades do outro.

A humildade, ou a falta dela, está presente em todas as ações humanas. É a sua ausência que possibilita a atos que corroem o humanismo.

Novos horizontes nos relacionamentos humanos

Um parente meu certa vez disse, explicando sua própria filosofia de relacionamentos, que eu deveria “ter um milhão de amigos, mas não deveria ter um único inimigo”.

A mensagem era clara. Com muitos amigos eu poderia construir um mundo, enquanto um único inimigo poderia por tudo a perder. E, para ter um milhão de amigos, só com humildade.

Com humildade, diferenças são resolvidas com compreensão e na aceitação das limitações do próximo, diante da própria arrogância.

O homem humilde toma a iniciativa e pisa um pedestal mais baixo que o do vizinho. Sem essa consciência de humildade, os homens, em grande escala, construíram arsenais nucleares.

Não há riscos em ser humilde. A humildade representa um poder formidável e abre horizontes novos de possibilidades nas relações humanas.

O homem humilde é temente a Deus

Com ela, não existiria sociedade bipolar, ricos e pobres. Se há humildade, com ela todos seriam capazes de viver sem extremos, seguindo sempre o melhor caminho, o mais sensato, o de menor dispêndio energético, o mais barato, o mais simples, o caminho do meio.

Na humildade, os homens desprezariam os sistemas políticos, econômicos e filosóficos, porque seriam capazes de respeitar o limite do próximo.

Com humildade, todos seriam capazes de viver em paz com o meio ambiente, seja na Terra, ou em qualquer outro planeta.

Finalmente, humildade é simplicidade. A humildade permite ao homem se entender integrado ao Cosmo, como parte de um universo que é a manifestação compreensível da mente de Deus.

Com ela, os homens se libertariam das religiões. Afinal, o homem humilde é temente a Deus e quer o bem do próximo tanto quanto o dele mesmo.

A compreensão do eu, do próximo, do ambiente e a percepção do Cosmo, enfim , é favorecida pela humildade. A humildade é o passo inicial para a expansão da consciência. Sem ela, se sobressai a arrogância, um mal que leva a outros males.