Nossa nave ameaçada

Um asteroide em rota de colisão com este planta. Imagem: State Farm (Flickr: Meteor falling to Earth) [CC BY 2.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/2.0)], undefined

Um asteroide em rota de colisão com este planta. Imagem: State Farm (Flickr: Meteor falling to Earth) [CC BY 2.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/2.0)], undefined

A propósito da estudada iniciativa americana de ir a um asteroide como preparação para Marte, gostaria de tratar dos riscos embutidos nisso e discuto aqui o drama que vivemos ou poderemos viver com colisões de objetos extraterrestres.

A NASA, a agência espacial norte-americana, pretende desenvolver tecnologia e medidas necessárias de segurança para uma expedição ao planeta Marte visitando, primeiro, um asteroide, que estaria esperando nas imediações da Lua.

O objeto, que teria que medir até 8m de diâmetro, seria abordado, ancorado e rebocado para perto do satélite da Terra por uma espaçonave robótica, no programa que a NASA chama Missão de Redirecionamento de Asteroide.

Em seguida, uma equipe de astronautas, comandando uma cápsula Orion, se dirigiria até o objeto, para envolvê-lo com uma bolsa desdobrável, onde seria mantido durante o tempo necessário para estudos, colheita de amostras, etc. Depois, a Orion retornaria à Terra.

Já tive oportunidade de escrever sobre os riscos que isso representa não só para os astronautas envolvidos, mas para todos nós, terráqueos e quero voltar ao assunto.

Sabido é que asteroides podem atingir a Terra não só por algum erro de cálculo de mecânicos celestes e cientistas envolvidos em brincadeiras com o desconhecido.

Eles também podem nos alcançar de surpresa. Há uma relação inversa entre o tamanho de um asteroide e a probabilidade dele atingir este planeta.

Explosão nos céus de Tunguska

Região em volta do epicentro da explosão de Tunguska, em 2008: área calcinada. Imagem by CYD (From English Wikipedia, en:Image:Tunguska01.png) [Public domain], via Wikimedia Commons

Região em volta do epicentro da explosão de Tunguska, em 2008: área calcinada. Imagem by CYD (From English Wikipedia, en:Image:Tunguska01.png) [Public domain], via Wikimedia Commons

Assim, quanto menor o objeto extraterrestre, maior a quantidade de impactos em determinado intervalo de tempo. Inversamente, quanto maior o pedregulho, mais raro são esses eventos.

A primeira coisa a considerar é que, embora a Terra tenha sido, e será, esmagada por um asteroide, isso não acontece muito frequentemente.

Impactos de objetos com 10 km de diâmetro, com energia cinética, oriunda da massa e do movimento, suficiente para praticamente esterilizar a Terra, acontecem uma vez a cada 100 milhões de anos.

Por outro lado, objetos com cerca de 30 m de diâmetro caem uma vez a cada 500 anos. É um tamanho pequeno, em termos de asteroides, mas ainda grande e energético o suficiente para causar destruição absoluta em uma área localizada, mesmo que não alcance a superfície.

Todos conhecem a história do bólido de Tunguska, o objeto desse tamanho que explodiu na atmosfera sobre a Sibéria, em 1908, devastando uma grande extensão da floresta.

Os cientistas têm 99% de certeza de que o próximo evento NEO destrutivo será algo parecido, uma explosão atmosférica.

Outro aspecto é que a humanidade provavelmente saberá do próximo impacto com anos, ou mesmo décadas de antecedência.

Epicentro de Tunguska, em foto recente: região ainda não se recuperou da catástrofe. Imagem by Tungus1908 (Own work) [CC0], via Wikimedia Commons

Epicentro de Tunguska, em foto recente: região ainda não se recuperou da catástrofe. Imagem by Tungus1908 (Own work) [CC0], via Wikimedia Commons

Ao longo de sua história cósmica, milhões de asteroides colidiram com a Terra. O caso mais emblemático é o objeto de 10 km que, com certeza quase absoluta, explodiu com a força de 100.000.000 de megatons e foi responsável pela cadeia de eventos cataclísmicos que findou o domínio dos dinossauros.

Bólido estancou no ar e em seguida explodiu

Bem mais recentemente, um astro devastou completamente uma região de florestas na Rússia siberiana. Em 30 de junho de 1908, o objeto sideral com menos de 100 m de diâmetro, e massa de mais de 1.000.000 de toneladas, entrou na atmosfera da Terra da Terra a 10 m/s.

O ar à frente do objeto, sem poder escapar para os lados na velocidade suficiente, aumentou a pressão até funcionar como uma parede. A 5 km de altitude, o bólido estancou subitamente, no ar.

A energia cinética, que resulta da massa e da velocidade, foi liberada instantaneamente em uma bola de fogo com a carga explosiva de 1.000 bombas atômicas de Hiroshima.

Mais de 80.000.000 de árvores foram destruídas e uma área de 2.150 km quadrados ficou estorricada. A onda de choque da explosão cavou uma depressão com cerca de 8 km de diâmetro, no ponto zero.

Contudo, os efeitos desse evento foram sentidos em locais tão distantes quanto a Europa Ocidental.

Você está em:

Nossa nave ameaçada

Leia a seguir:

Asteroides que passaram por aqui

Explosão em Chelyabinsk

Impacto na Terra: evitando o pior

Transição de era geológica