Nibiru pode mesmo existir

 

Nesta bonita concepção artística, o que veríamos da superfície com horizonte bastante próximo de Sedna: o Sol, à direita, e a Via Láctea. "Artist's concept of the Solar System as viewed from Sedna" por NASA, ESA and Adolf Schaller - Hubble Observes Planetoid Sedna, Mystery Deepens: http://hubblesite.org/newscenter/archive/releases/2004/14/image/e/With labels: http://hubblesite.org/newscenter/archive/releases/2004/14/image/f/format/large_web/. Licenciado sob Public domain, via Wikimedia Commons - http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Artist%27s_concept_of_the_Solar_System_as_viewed_from_Sedna.jpg#mediaviewer/File:Artist%27s_concept_of_the_Solar_System_as_viewed_from_Sedna.jpg

Nesta bonita concepção artística, o que veríamos da superfície com horizonte bastante próximo de Sedna: o disco empoeirado em volta do Sol, à direita, e a Via Láctea. “Artist’s concept of the Solar System as viewed from Sedna” por NASA, ESA and Adolf Schaller – Hubble Observes Planetoid Sedna, Mystery Deepens: http://hubblesite.org/newscenter/archive/releases/2004/14/image/e/With labels: http://hubblesite.org/newscenter/archive/releases/2004/14/image/f/format/large_web/. Licenciado sob Public domain, via Wikimedia Commons – http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Artist%27s_concept_of_the_Solar_System_as_viewed_from_Sedna.jpg#mediaviewer/File:Artist%27s_concept_of_the_Solar_System_as_viewed_from_Sedna.jpg

Nibiru, Hercólubus, Planeta X, 10º Planeta. Não importa o nome, diversas fontes relatam a existência de um astro gigantesco na periferia do Sistema Solar. Agora, surgem evidências científicas de que, sim, o objeto existe.

Bem, este assunto não é mais um furo de reportagem, mas como tenho tratado de temas correlatos aqui, acho conveniente dar minha abordagem. A descoberta do objeto rochoso 2012VP113, na mesma região onde há dez anos foi localizado Sedna, originou, entre os astrônomos, a primeira evidência de que há, sim, um enorme planeta, maior que a Terra, nos cafundós do Sistema Solar.

O objeto seria Nibiru, ou Marduk, ou o temido Hercólubus. Nibiru, segundo registros cuneiformes sumérios, seria o planeta natal dos afamados e briguentos Enkil e Enli, alienígenas que comandaram missões colonizadoras na Terra.

Eles teriam criado o Homo sapiens sapiens à sua imagem e semelhança e, de quebra fomentaram a discórdia árabe-israelense que persiste até hoje. Leia mais sobre isso na supersérie Ódio de 450.000 anos, deste blog.

Descoberta inesperada

O objeto 2012VP113 foi descoberto por acaso em 5 de novembro de 2012 por Chardwick Trujillo, do Observatório Gêmine Norte, no Hawai, e Scott Sheppard, do Instituto Carnegie para a Ciência (EUA).

Eles trabalhavam juntos no observatório Victor Blanco, com espelho de 4m, no Deserto de Atacama, no Chile, procurando objetos circulando em torno de estrelas vizinhas ao Sol, em programa que se estenderia entre novembro e dezembro de 2012.

O trabalho consistia em fazer três imagens de cada uma de 16 pequenas áreas do céu medindo 2,7 graus quadrados.

Depois, usaram um programa de computador capaz de identificar qualquer alteração nos objetos imageados quando perceberam o objeto que está causando alvoroço entre e enchendo de esperanças os defensores de antigas teorias.

Novos estudos sobre o objeto foram feitos e os resultados foram divulgados na edição de 27 de 2014 da prestigiada revista científica Nature.

Região obscura do Sistema Solar

De início, 2012VP113 ajudou a consolidar , entre os astrônomos, a tese da existência da obscura região chamada Nuvem de Oort Interior, que fica dentro da região maior da Nuvem de Oort que abriga os cometas.

O objeto é pequeno, medindo cerca de 450km de largura, sendo bem menor que Sedna, que tem quase 1.000km de largura.

As trajetórias de 2012VP113 e de Sedna intriga os astrônomos. Os dois objetos têm órbitas em torno do Sol altamente alongadas, ou elípticas.

No perigeu, o ponto da órbita mais próxima da nossa estrela, os dois objetos chegam a cerca de 80 unidades astronômicas (UA) do Sol (uma UA é a distância média da Terra ao Sol, cerca de 150 milhões de quilômetros).

Interferência gravitacional explica

Já o apogeu, o ponto mais distante, leva 2012VP113 a distantes 470 UA. É longe. Para se ter uma idéia, a Terra tem que complentar 4.600 voltas em torno do Sol para que completem uma. O apogeu de Sedna é ainda maior, quase 1.000 UA.

Por que esses objetos têm órbitas tão irregulares? Os astrônomos acreditam que  só a interferência gravitacional de um outro corpo bem mais massivo explica.

Netuno, o mais exterior dos gigantes gasosos, que orbita nossa estrela a 29,9 UA, foi descartado, já que Sedna e 2012VP113 ficam longem demais, fora do Cinturão de Kuiper, zona que fica entre 30 e 50 UA do Sol.

A hipótese de uma estrela que passasse muito perto do Sol também foi descartada, porque as órbitas de dezenas de objetos conhecidos nas regiões mais distantes do Sistema Solar seriam bastante irregulares.

Superterra a 250 UA do Sol

Mas isso não ocorre. Esses objetos, aí inclusos 2012VP113, têm órbitas em planos parecidos, em relação ao plano do próprio Sistema Solar.

A melhor explicação, aquela que melhor espelha a realidade observada, é a da existência de um planeta gigante, com massa entre 3 e 5 massas terrestres, imerso na escuridão da Nuvem de Oort.

Esse mundo obscuro teria se formado mais próximo do Sol, juntamente com os outros planetas e depois, ainda na infância turbulenta do Sistema Solar, lançado para longe.

Segundo modelos computacionais, essa superterra orbitaria o Sol a cerca de 250 UA em relação à estrela.

Os astrônomos, cautelosos como sempre, dizem que pode haver outra explicação, ainda desconhecida, ou várias outras, para as órbitas alongadas de Sedna e de 2012VP113.

Contudo, a teoria do 10º planeta é a mais convincente, embora.

Os melhores telescópios espaciais até agora construídos descartam um planeta gigante gasoso nos subúrbios mais distantes do Sistema Solar, e carecem de potência suficiente para detectar mundos menores naquela região remota.

Talvez levará alguns anos até que esse objeto, se realmente existir, seja de fato confirmado.