ISS fotografada com celular

A ISS, vista do terraço de minha casa, ao anoitecer de 28 de julho de 2015. A imagem mostra as estrelas Vega e Altair, além de uma torre de transmissão telefônica  Imagem: Tom Lima

A ISS, vista do terraço de minha casa, ao anoitecer de 28 de julho de 2015. A imagem mostra as estrelas Vega e Altair, além de uma torre de transmissão telefônica Imagem: Tom Lima

Não sabia ser possível, mas consegui fotografar a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), com meu “velho” smartphone Samsung Galaxy GT-S6102B.

A câmera do aparelho estava ajustada na resolução 2048×1536 pixels (3,2 megapixels), e configurada para disparo noturno. O tamanho de frames é 121 kb.

Eu havia me inscrito, meses antes, no serviço da Spot the Station da NASA, a agência espacial norte-americana.

Graças a esse serviço, recebo periodicamente, através de e-mail, um comunicado informando a data, horário e localização, no céu, em que eu posso observar a gigantesca espaçonave cruzando o espaço, a partir de minha cidade.

Esta segunda imagem foi feita 23 segundos após a anterior. Nela, dá para perceber claramente o deslocamento da ISS. Imagem: Tom Lima

Esta segunda imagem foi feita 23 segundos após a anterior. Nela, dá para perceber claramente o deslocamento da ISS. Imagem: Tom Lima

Claro, o máximo que a gente pode enxergar da ISS, daqui da superfície do planeta, à olho nu, é a estação como o mais brilhante ponto luminoso a se deslocar perceptivelmente, no céu, como um farol que, no entanto, não ofusca.

Janela de poucos minutos

Segundo o comunicado do serviço, a ISS apareceria no céu de minha cidade a sul-sudoeste, às 18h35, alcançaria uma altura máxima de 55 graus, ou seja, passaria mais ou menos na posição equivalente a10h, e desapareceria 6 minutos depois, às 18h41, a nordeste.

De fato, eu me posicionei no jardim de minha casa antes do horário previsto, com meu smartphone já ajustado, ele nas mãos, sem apoio algum, pronto para imagear a estação.

A câmara do celular tem número de escala f f/2.6 e tempo de exposição foi de 1/2s, com abertura máxima de 2.757, para ambas as imagens. A velocidade ISO é ISO-800. Contudo, fiz uma “correção automática” com ajuda de um aplicativo, para realçar detalhes.

Vale ressaltar que o relógio de meu celular não está sincronizado com o da NASA, havendo uma diferença de minutos entre um e outro.

Eu estava ansioso. Quando a ISS apareceu, bastante luminosa, aguardei o momento certo, que a câmera registraria como 18h41’32”, e fiz a primeira foto. A segunda foto foi feita 23 segundos depois, às  18h41’55”.

Além da ISS, as duas imagens mostram as estrelas Vega, na constelação de Lira, e Altair, em Águia. Vega é 2,1 vezes maior que o Sol e fica a 25 anos-luz daqui, sendo a quinta estrela mais brilhante do céu. Altair é 1,8 vezes maior que o Sol, sendo a 12ª estrela mais brilhante, a 16,7 anos-luz da Terra.

A ISS, em todo seu esplendor, fotografada com a Terra ao fundo em 22 de maio de 2010, pela tripulação do ônibus espacial Atlantis, depois que as duas espaçonaves se separaram ao fim de sete dias desde a acoplagem. Nesse período, foi o múdulo Rassvet, foram substituídas baterias e entregues alimentação e água. Imagem por NASA/Crew of STS-132 [Public domain], via Wikimedia Commons

A ISS, em todo seu esplendor, fotografada com a Terra ao fundo em 22 de maio de 2010, pela tripulação do ônibus espacial Atlantis, depois que as duas espaçonaves se separaram ao fim de sete dias desde a acoplagem. Nesse período, foi o múdulo Rassvet, foram substituídas baterias e entregues alimentação e água. Imagem por NASA/Crew of STS-132 [Public domain], via Wikimedia Commons

Atualmente, a espaçonave abriga uma tripulação de seis pessoas, das quais três desembarcaram lá no dia 22 de julho. Os tripulantes são dois astronautas da Nasa, Scott Kelly e Kjell Lindgren, três cosmonautas russos, Gennady Padalka, Mikhail Kornienko e Oleg Kononenko; e o astronauta japonês Kimiya Yui.

Maior que um campo de futebol

Maior objeto construído pelo homem no espaço, a ISS, que rivaliza com Vênus em brilhância no céu noturno, se desloca a impressionantes 27.600 km/h. Em média, 7,6km/s.

Ela orbita a Terra entre 330km de altitude no perigeu, e 435km de altitude no apogeu, completando 15.54 volta em torno da Terra por dia, uma a cada 92,6 minutos.

Ela começou a ser construída em 20 de novembro de 1998 e ainda não está totalmente pronta. Pelo menos quatro novos módulos deverão ser acoplados à estrutura nos próximos anos.

A ISS é maior que um campo de futebol. Com seus enormes painéis solares estendidos, mede 72,8m de largura, 108,5m de comprimento e 20m de altura, pesando 450.000kg. A estação possui atualmente 13 módulos habitáveis.

Como a gente vê a ISS, a partir da superfície da Terra. Essa astroimagem foi feita da Holanda, através de telescópio. Além da estação, dá pra ver a nave de carga japonesa HTV-1, em voo de demonstração em setembro de 2009, ainda a algumas centenas de metros da estação, pouco antes a acoplagem. Imagem por Ralf Vandebergh (Own work) [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons

Como a gente vê a ISS, a partir da superfície da Terra. Essa astroimagem foi feita da Holanda, através de telescópio. Além da estação, dá pra ver a nave de carga japonesa HTV-1, em voo de demonstração em setembro de 2009, ainda a algumas centenas de metros da estação, pouco antes a acoplagem. Imagem por Ralf Vandebergh (Own work) [CC BY-SA 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)], via Wikimedia Commons

Toda essa enorme estrutura está constantemente caindo na Terra, à razão de 2km/mês. Entretanto, é mantida em órbita graças a pequenos foguetes, que eventualmente são acionados pelos astronautas, reposicionando a estação.

A espaçonave é usada como laboratório de pesquisa em ambiente espacial com microgravidade, para experiências em várias áreas, tais como biologia, medicina, física, meteorologia e astronomia.

Sua construção só foi possível graças ao interesse comum de vários países. Tripulantes de várias nações passam pela estação continuamente há quase 15 anos, desde a chegada da primeira expedição, em  novembro de 2000, constituindo a mais longa presença humana no espaço.