Impacto na Terra: evitando o pior

Cratera de Barringer, ou do Meteoro, nos Estados Unidos: será que conseguíamos evitar algo bem pior? Imagem by USGS/D. Roddy [Public domain], via Wikimedia Commons

Cratera de Barringer, ou do Meteoro, nos Estados Unidos: será que conseguíamos evitar algo bem pior? Imagem by USGS/D. Roddy [Public domain], via Wikimedia Commons

Diferentes técnicas poderiam afastar o perigo e desviar, para longe da Terra, um asteroide que viesse pra cá, ameaçador.

Uma delas é o trator gravitacional. Se um asteroide fosse detectado com alguma antecedência, a melhor opção poderá ser enviar uma sonda robótica para um encontro e uma longa volta com ele.

A modesta atração gravitacional da espaçonave exerceria um puxão sobre o asteroide, enquanto os dois objetos cruzariam através do espaço. Ao longo de meses ou anos, o método de trator gravitacional empurraria o objeto para uma órbita mais segura.

Seria possível obter uma mudança bastante precisa na órbita do astro na parte final da missão, usando uma tecnologia desse tipo. A humanidade já demonstrou essa tecnologia.

Várias sondas já se encontraram com asteroides distantes no espaço profundo. A espaçonave Dawn, da NASA, por exemplo, orbitou e sondou, durante algum tempo, o gigantesco asteroide Vesta. E agora, se aproxima de Ceres.

Pulverizar o asteroide com artefato nuclear

Em 2005, a sonda japonesa Hayabusa, ou Falcão, pescou alguns pedaços do asteroide Itokawa, que enviou de volta para a Terra, para análises.

Os terráqueos ainda poderiam ser mais agressivos, empregando força bruta. Isso pode ser feito arremessando uma sonda robótica de encontro à rocha espacial, para mudar sua órbita.

Também em 2005, a NASA despachou um impactador para o cometa Tempel 1, para determinar sua composição.

A técnica do impactador não seria tão precisa quanto a do trator gravitacional, embora possa fazer o serviço.

Outra possibilidade é pulverizar o asteroide com um artefato nuclear. A opção nuclear poderia ser empregada, se a rocha espacial ameaçadora for grande para ser desviada por um impactador.

Contudo, seria um último recurso. Isso porque, explodir um asteroide em pedaços poderia fazer mais mal do que bem.

A razão é que, mesmo destroçado, o momento do asteroide seria preservado. Se o objeto fosse desintegrado, todo o gigantesco spray de detritos, em vez de uma única rocha enorme, continuará vindo em direção da Terra, de qualquer jeito.

Vaporizar a rocha para criar jatos propulsores

A mobilização do uso de armas nucleares poderia também causar preocupação. Provavelmente seria difícil convencer a opinião pública global a construir um sistema de desvio de asteroides em tempo. E acrescentar mísseis nucleares ao sistema seria tornar as coisas ainda piores.

Contudo, o potencial uso de bombas atômicas para desvio de um asteroide assassino não pode ser descartado, embora a probabilidade de que venha a ser usada seja extremamente baixa.

Outra idéia é a do espelho de abelha, que consistiria no envio de um enxame de espaçonaves espelhadas para o asteroide perigoso.

As mini-sondas apontariam a luz solar refletida a um único ponto do asteroide, fornecendo calor suficiente para vaporizar a rocha e, com isso, criar jatos propulsores.

A reação do gás ou material, sendo ejetado, tiraria o asteroide do curso de colisão. Porém, esse conceito ainda não está pronto para ser empregado ou demonstrado.

Outra ideia é mover o asteroide perigoso por meio da técnica de enrolar o pedregulho cósmico com uma folha reflexiva, como se fosse uma gigantesca batata para assar.

Humanidade terá que passar pelo teste

Os fótons de luz do Sol desviariam o objeto para longe da Terra, do mesmo modo que propelem uma espaçonave equipada com velas solares. A técnica pode funcionar, apesar de o asteroide girar sobre seu próprio eixo.

A maior das chaves para desviar um asteroide perigoso, dizem os pesquisadores, é detectar o invasor com muito tempo à frente, possibilitando a ação apropriada. Seria bom dispormos de pelo menos dez anos de antes do impacto anunciado.

Afinal de contas, levará algum tempo mobilizar o disparo da missão de desvio, bem como para a missão, em si, especialmente se for empregada a técnica de trator gravitacional.

Os humanos precisam ter certeza de que poderão enfrentar o desafio e isso acontecerá quando um grande e ameaçador asteroide se mostrar nos radares, e a sobrevivência da espécie dependa da decisão que tomar.

É mesmo possível que outras civilizações façam parte da comunidade dos seres inteligentes que venceram o desafio, e passar pelo teste assegurará aos terráqueos fazer parte dessa comunidade.

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