Imageei uma oposição de Júpiter

A Lua começa a ocultar Júpiter, na história ocultação de 25 de dezembro de 2012. Astrofotos: Tom Lima

A Lua começa a ocultar Júpiter, na história ocultação de 25 de dezembro de 2012. Astrofotos: Tom Lima

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Durante sua aparição em 2012, acompanhei, durante vários meses, as peripécias celestes do planeta gigante, Júpiter, e da nossa Lua, no céu, até conseguir fotografar a ocultação registrada nas fotos que ilustram este post.

Deu um bocado de trabalho, mas valeu a pena. Aconteceu no início da noite do Dia de Natal, 25 de dezembro daquele ano, aqui em minha cidade, Pedro II (PI), o que, para mim, foi um senhor presente! Minha casa tem as coordenadas geográficas 4°26’19.27”S e 41°26’53.27”O.

Vale lembrar que, em 2012, a oposição de Júpiter em relação ao Sol aconteceu em 1º de dezembro.

Claro, ficava atento a cada lunação, ou mês lunar, enquanto observava que, em certo dia de cada mês, a Lua passava nas imediações do ponto luminoso que era o planeta, no alto do céu. E pareceu Lua,que seria Dia de Natal.

Voltei apressado para casa

Eu havia saído no fim da tarde do dia 25 e, ao anoitecer, notei como a Lua, que estava 95% iluminada pelo Sol e seria Cheia três dias depois, em 28, parecia se deslocar, naquela vez, precisamente na direção de Júpiter, que tinha magnitude -2.6. Apressei minha volta para casa.

O deslocamento da Lua no céu da Terra se dá de oeste para leste. Ora, a Lua estava ligeiramente a oeste de Júpiter, o satélite da Terra caminharia pelo céu.

Logo, tocaria o planeta gigante com seu limbo inferior, ou seja, aquele voltado para leste, justamente o que formava o crescente com 5% de escuridão da noite lunar.

A cratera Aristarcus era o ponto da Lua próximo ao terminadouro, a linha que divide a noite do dia, onde seria feito o contato. Já o egresso, ou reaparecimento, de Júpiter, se daria nas proximidades do Mar das Crises, plenamente iluminado pelo Sol.

A montagem do equipamento

Montei rapidamente meu telescópio. no quintal de casa. Era meu telescópio newtoniano com espelho principal de 25cm, que eu mesmo construí.

Também juntei meu kit de acessórios, composto por oculares, barlows, filtros e uma webcam, descrita em Lunafoto com webcam. Instalei, também, um notebook, ao qual foi conectada a videocâmera, após esta ter sido acoplada ao telescópio.

Montei tudo em poucos minutos e, a seguir, fiz um total de 45 imagens, entre 17h32 e 20h37, horário local. Lembrar que, na Região Nordeste, não adotamos horário de verão.

As primeiras 19 imagens, entre 17h32 e 17h36, foram da Lua, apenas para calibrar meus instrumentos, treinar um pouco e tirar algumas lunafotos para usos futuros.

Por fim, às 17h37 fiz a primeira imagem de Júpiter, que estava na constelação de Touro. Dada a baixa qualidade da minha webcam, além da falta de mecanismo de acompanhamento para meu telescópio, de montagem dobsoniana, a imagem de Júpiter, já muito próximo ao fulgor lunar, é saturada.

Europa prestes a ser oculta pela Lua.

Europa prestes a ser oculta pela Lua.

Contudo, a imagem mostra claramente Europa, que seria o primeiro satélite galileano a fazer contato e desaparecer atrás da Lua. Io apareceria a seguir, mas como estava bem próximo a Júpiter, ficou invisível, na imagem.

Lapso de tempo angustiante

Após Júpiter, mergulharia atrás da nossa Lua Ganimede e, pouco tempo depois, Calisto. Logo após as 18h32.

Europa desapareceu atrás do limbo escuro da Lua. O limbo oeste de Júpiter mergulhou atrás do satélite da Terra poucos segundos após as 18h40.

Daí por diante houve um lapso de tempo que se prolongou ata às 20h22, quando fiz a primeira imagem de Júpiter, começando a reaparecer. No total, fiz nove imagens do ingresso e 13, do egresso.

Começa o egresso do planeta gigante.

Começa o egresso do planeta gigante.

Esse registro foi, para mim, bastante significativo, porque foi a primeira vez que pude testemunhar, de meu sítio de observação celeste, fenômeno semelhante.

Já havia testemunhado, muitas vezes, ocultações de seus próprios satélites por Júpiter, algo muito interessante de ver, ao telescópio, claro.

Mas, para mim, poder fazer astrofotos da ocultação teve um significado ainda maior.

 

Mais imagens da ocultação:

Na astrofoto acima, a ocultação está para começar. O hemisfério Sul de Júpiter está voltado para a direita.

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Nesta imagem, Júpiter está praticamente oculto.

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A grande região circular escura é o Mar das Crises.

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