Explorando o cair no sono

Esquema da mente de um ser que pensa, segundo o autor. O pequeno círculo simboliza o subconsciente. Ilustração por Vuelaentumente (Trabalho próprio pelo carregador) [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html) undefined CC BY-SA 4.0-3.0-2.5-2.0-1.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0-3.0-2.5-2.0-1.0)], undefined

Esquema da mente de um ser que pensa, segundo o autor. O pequeno círculo simboliza o subconsciente. Ilustração por Vuelaentumente (Trabalho próprio pelo carregador) [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html) undefined CC BY-SA 4.0-3.0-2.5-2.0-1.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0-3.0-2.5-2.0-1.0)], undefined

A primeira providência que tomei, após compreender que havia diferentes níveis de consciência, e que podia explorar esse ambiente durante o cair no sono, foi comandar a mim mesmo que manteria a mente em alerta.

Como o objetivo era sair do corpo, também me programei para só me deslocar, nos sonhos, voando.

Nesses estudos preliminares, aprendi bastante sobre o estado hipnogógico, aquele momento de transição entre a vigília e o sono. Explorar esse ambiente me mostrou uma faceta desconhecida e bastante interessante da minha psique.

As primeiras experiências a respeito aconteceram na noite de 1º fevereiro de 1985. Apesar de fazer algum tempo, posso descrever com precisão o que aconteceu, porque tenho em meu poder registros escritos de todas as etapas do meu desenvolvimento psíquico.

Relaxamento do físico foi rápido

Na verdade, tudo o que escreverei aqui, sobre viagem astral, é baseado no resgate dessas anotações, que preenchem quatro volumes datilografaidos (não havia processadores de texto, na época) em papel ofício, cada volume com mais de 120 páginas.

Os resultados alcançados naquela noite me deixaram satisfeito e abriram as portas para que eu avançasse. Eu me deitei em minha cama no horário costumeiro de dormir, por volta das 22h.

O relaxamento do corpo físico foi rápido e depois, me limitei a observar o que acontecia com minha consciência durante o cair no sono, a fase do estado hipnogógico.

Voltei a perceber o ambiente e o corpo físicos

Claro, foi preciso um grande esforço para permanecer consciente, isto é, para não dormir. Enquanto evitava dormir, percebi, quando no entanto me alheava do ambiente físico e do corpo físico, uma imagem aparentemente sem controle povoar o cérebro.

A imagem mental é dita sem controle porque surgiu sem meu comando ou conhecimento e tinha conteúdo também involuntário.

A imagem surgiu e durou frações de segundo, até que eu me lembrasse subitamente do que estava acontecendo. Isso me fez sair do hipnogógico, e voltei à vigília, com minha percepção sensorial totalmente restaurada. Voltei a perceber planamente tanto o ambiente quanto meu próprio corpo físico.

Contudo, o que experimentei foi suficiente para compreender algo interessante, a respeito dos meus fracassos anteriores. Percebi que o esforço da visualização, que eu acreditava, me faria sair do corpo, me impedia de avançar.

Breve instantes de desligamento sensorial evidente

Enquanto visualizava, impedia que a mente relaxasse e a consciência se aprofundasse. Estava claro, agora. Eu havia saído do estado de vigília, com alto nível de consciência e, por breves instantes, alcançado um nível consciencial mais profundo, com alheamento ou desligamento sensorial evidente.

Algo, porém, me intrigava. Não compreendi como a consciência havia se aprofundado. Além disso, qual a relação intrínseca entre o nível profundo de consciência e a imagem mental do estado hipnogógico?

O que percebi claramente é que não estava em vigília no exato momento em que a imagem descontrolada estava presente. Enquanto pensava nisso, cai no sono e só acordei no dia seguinte. Decidi que repetiria o experimento na primeira oportunidade.