Eu mesmo montei meu telescópio

Detalhe do meu telescópio newtoniano de 254mm, que eu mesmo construí, exibindo o focalizador, o buscador e o suporte do espelho secundário. Foto: Tom Lima

Detalhe do telescópio newtoniano de 254mm, que eu mesmo construí. Note o diferente suporte curvo do secundário, o luminoso 9x50mm e o focalizador, com uma ocular. Foto: Tom Lima

Eu mesmo construí meu telescópio, um refletor newtoniano de 254 mm, dobsoniano. Não é porque foi feito por mim, mas é um equipamento excelente. Levei cerca de oito meses para fazer a montagem, mas valeu o esforço, que foi, e está, sendo planamente recompensado.

Minha relação com telescópios é antiga. Ainda adolescente, por volta de 1977, fiz uma minúscula luneta refratora, usando como objetiva uma lupa pequena, que tinha comprado em uma loja.

Como ocular, usei a ocular de um microscópio, que viera na coleção Os Cientistas, da Editora Abril, publicada no início da década de 1970. Com essa luneta, observei, pela primeira vez, as maiores crateras da Lua.

Em 1978, quando servia ao Exército, resolvi fazer uma maior, depois de obter, em uma revista, um esquema para construção uma luneta refratora mais, digamos, aperfeiçoada.

Com várias lupas fiz uma ocular “composta”

A objetiva recomendada, que encomendei em uma óptica, era uma lente plano-convexa de 60 mm de diâmetro e 1 dioptria, significando distância focal de 100 mm.

Detalhe do grande buscador e do focalizador, todos da marca Orion, importados dos Estados Unidos. Foto: Tom Lima

Detalhe do grande buscador e do focalizador, todos da marca Orion, importados dos Estados Unidos. Foto: Tom Lima

O esquema não dava detalhes sobre a ocular. Apenas dizia que era pra eu providenciar uma em uma “casa especializada”. Como não havia isso em minha cidade, como ainda hoje não há, fiz o que pude.

Juntei várias lentes que tinha em casa, retiradas de lupas, e montei uma ocular “composta”. Não era nada boa, principalmente porque a distância focal dessa montagem improvisada era de uns 10 cm, o que tornava a observação muito desconfortável.

Na paisagem lunar perceber um silêncio imenso

Porém, o resultado foi muito mais do que animador. Ela permitia ver muito mais detalhes da Lua. Ao olhar pela ocular, meu primo Clauberto, um artista plástico, perscrutou a paisagem lunar acidentada e exclamou, extasiado com o que via:  um silêncio imenso, disse, o que me lembrou a expressão “magnífica desolação”, do segundo homem na Lua, Edwin Aldrin.

Parece estranho, mas essa é a sensação que muita gente tem, e eu tive, ao observar ao telescópio pela primeira vez. É algo como perceber um vasto silêncio, associado à imagem ampliada e próxima, de um objeto celeste muito longe.

Descobri uma outra opção bem interessante

Anos mais tarde, por volta de 1994, ao andar por um shopping de minha cidade, vi em uma loja de importados um telescópio de verdade.  Era um newtoniano de 114 mm GalaxseE Tasco, em montagem equatorial. Era caro, quase R$ 1.000,00, e não estava preparado para a compra. Mesmo assim, fiz a aquisição.

Bem. Quando se trata de telescópios, a gente sempre está insatisfeito. Por isso, resolvi adquirir um maior. A esse aspecto, a gente pensa inicialmente em comprar um feito. Contudo, eu descobri outra opção, bem interessante, que descrevo a seguir, no segundo post desta série.

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Como montei meu telescópio de 25cm

Primeira luz do meu telescópio.