Conspiração em curso por consumo

Operários em mina escavam as entranhas da Terra. Imagem por Deutsche Fotothek‎ [CC BY-SA 3.0 de (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/de/deed.en)], via Wikimedia Commons

Operários em mina escavam as entranhas da Terra. Imagem por Deutsche Fotothek‎ [CC BY-SA 3.0 de (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/de/deed.en)], via Wikimedia Commons

Os consumidores estão se sentindo aliviados por não terem que comprar tanto, mas há uma conspiração para que façam exatamente o contrário, com prejuízos ainda maiores ao nosso já desgastado planeta.

Eles, os conspiradores, estão agindo nas sombras para pressionar os momentaneamente acomodados terrestres, para que voltem a comprar, a comprar e comprar.

Aqui, no Brasil, não está havendo conspiração, neste momento, por causa do ajuste econômico em curso, no qual o consumo é grandemente desestimulado por preços dos produtos em alta e juros também em alta.

Conspiração nos quatro cantos do mundo

A apatia atual para as compras está atingindo os consumidores de praticamente todos os países ricos e boa parte dos emergentes, mesmo a China.

Ela começou com a queda nos preços das matérias-primas, das quais o petróleo é a mais evidente, já que o do barril baixou de 105 dólares para cerca de 50 dólares.

O resultado é que as empresas passaram a economizar com a produção de bens e serviços, que ficaram ligeiramente mais baratos para os consumidores.

Mas, o bolso é sensível à queda dos preços e isso ligou a luz amarela, de alerta, nos lares dos consumidores. Estes perceberam a situação de preços em baixa e resolveram tirar vantagem, diminuindo o ritmo de compras na expectativa de que caiam ainda mais.

Só que essa situação nova aconteceu no momento em que o mundo começava a se recuperar da crise econômica de 2008, que teve início nos Estados Unidos e se alastrou por outras partes do globo.

Consumidores querem poupar o planeta…

Na verdade, os consumidores tinham reduzido as compras desde aquela época. O efeito, claro, foi um alívio para o planeta, que teve suas entranhas menos atacada por uma humanidade sedenta de recursos naturais.

Agora, a soma das crises de 2008 e a da queda de preços das matérias-primas tornou os consumidores mais apáticos para as compras.

Só que a luz amarela acendeu, desta vez, no escritório das autoridades financeiras mundiais, que na verdade, representam os interesses dos grandes conglomerados industriais.

Imediatamente, começou uma conspiração mundial para que os consumidores voltem, urgentemente, às compras, mesmo contra sua vontade.

Os grandes bancos centrais europeus já começaram a facilitar o acesso ao crédito. Para isso, chegaram ao ponto de fabricar mais euros, que estão ofertando aos bancos privados na forma de compras de títulos públicos que essas instituições têm, em seu poder.

…mas os conspiradores são contra

Para se ter uma idéia do poder da conspiração pró-consumo, os bancos centrais europeus chegaram ao ponto de cobrar taxas sobre quantias que os consumidores mantêm em poupança, nessas instituições.

Nos Estados Unidos, grandes empresas de telefonia estão obrigando os consumidores a comprarem mais bens e serviços, dando descontos que chegam a 50%.

Os conspiradores, na verdade, que não querem que os consumidores continuem sem querer comprar e, assim, economizem seu bem maior, o planeta Terra.

O pior disso é que esses mesmos consumidores, que têm boa vontade, estão imersos em um sistema urdido de tal forma, por esses mesmos conspiradores, que, se não comprarem, poderão piorar ainda mais o quadro.

A explicação é que o consumo em alta é necessário para a oferta de bens e serviços, como alimentos, computadores, telefones, carros, transporte, energia, escolas, etc.

De fato, se os consumidores não comprarem, os conspiradores ameaçam reduzir e até parar a produção desses bens e serviços, o que resultaria em desemprego, falta produtos e queda da qualidade dos serviços, algo de fato bastante ruim.

A solução, ao meu ver, é o esboçado em Futuro sem comida e sem água (físicos), onde defendo o desenvolvimento de novas tecnologias que utilizem recursos naturais ainda inexplorados.