Conformação extremada

Os extremos são inerentes à realidade e, às vezes, desembocam para o caos. Uma representação matemática, o Atrator de Lorenz, mostra o efeito borboleta: como qualquer coisa, aparentemente estável, desanda para o caos em larga escala. Imagem por By Computed in Fractint by Wikimol [Public domain], via Wikimedia Commons

Os extremos são inerentes à realidade e, às vezes, desembocam para o caos. Uma representação matemática, o Atrator de Lorenz, mostra o efeito borboleta: como qualquer coisa, aparentemente estável, desanda para o caos em larga escala. Imagem por By Computed in Fractint by Wikimol [Public domain], via Wikimedia Commons

A conformação extremada, um conceito refracionário, desconsidera a eliminação pura e simples dos extremos. Não fosse assim, os paroxismos seriam suprimidos da compreensão, o que, se repararmos bem, não acontece. Contudo, os extremos se aproximam, pois se assemelham em sua essência.

De fato, os extremos, que se configuram duais, são intrínsecos ao real cósmico e, à primeira vista, pode parecer que tais polaridades sejam desnecessárias. Ou melhor, um fim em si.

Assim, os fenômenos se manifestam de certa forma porque a realidade funciona segundo esse arranjo e consequentemente, não há como escapar ao inexorável fluir cósmico.

Talvez, porém, eu não esteja só, com a teoria refracionária. Sob certos parâmetros, é o que diz, também, a teoria do caos.

O efeito borboleta, entendido aqui com uma vasta gama de aplicação, inclusive no comportamento emocional de cada qual, como um acesso incontrolado de fúria, diz que os fenômenos em pequena escala podem seguir um determinado ritmo em direção ao paroxismo em larga escala. Assim, continuam e persistem em si, nesse sentido exclusivo.

Surgimento de conflitos

Algo é evidente como é e assim continua. Evolui, mas, devido a essa tendência, ignora a outra extremidade. As coisas podem ser boas ou más, digamos, mas não boas e más. Há apenas uma via de acesso à compreensão.

O efeito, portanto, é seguinte a determinado rumo. É formalizador entrópico por excelência e, a menos que se mude de atitude, a tendência é que surjam conflitos.

A consequência de se manter uma atitude que considere só um lado da questão é o conflito. Esse raciocínio é estativista, em oposição ao dinamismo. Sacrifica sobremaneira a compreensão mais ampla.

Contudo, a conformação extremada explica a fluidez fenomenológica. E o que se sobressai nessa análise é uma visão cósmica realista.

Consciência que evolui

De fato, os fenômenos cósmicos, entendidos aqui em uma vasta gama de aplicação, inclusive no comportamento emocional de cada qual, são não-excludentes.

O que primeiro observo – e chamo especial atenção do leitor – é que o dimensional físico é a aparência do real cósmico em toda sua extensão multidimensional, em quase todos os sentidos. De fato, é a forma como a consciência cósmica evolui.

O dimensional físico é, por assim dizer, semelhante ao cosmo. Se a hexadimensionalidade (nós) percebe um corpo dimensional físico qualquer, toma ciência formal do real, naquela escala.

Afinal, o físico é a manifestação, nesse nível dimensional, do modo como a consciência cósmica pode ser perceptível, tanto na aparência, quanto na essência.

Sentido horizontal e vertical

Logicamente, os demais dimensionais têm forma cósmica semelhante, embora apenas a consciência permeie todas as dimensões que compõem o real, fluindo em liberdade ordenada de um lado a outro do espectro hexadimensional, tanto horizontal (de uma dimensão a outra), como verticalmente (dentro de uma dimensão específica).

Deste modo, a formalização dimensional física se segue à matriz consciencial. E o real dimensional físico não é, assim, por si mesmo, encerrado em si, mas é no contexto dos demais dimensionais.

Isso quer dizer que tal aparência é o modo como o cosmo se manifesta. Não importa, assim, de qual ponto de vista se perceba o dimensional físico.

Ora, a conformação extremada transparece a relação entre físico e os demais dimensionais não-físicos. Ela não significa indefinição, mas uma evolução consciencial que nos permite perceber os fenômenos de um ponto de vista além das aparências.

Significa uma acomodação, um arrumamento, tendente ao bem cósmico. A compreensão, de fato, objetiva estreitar a amplitude extrema, trazendo a incoerência para a conformação.

Se, nos primórdios evolutivos, os limites duais são tais que unilaterais, como fluir da consciência se tornam aproximativos. Um entra no campo compreensional do outro, e vice-versa.

O que é extremamente distante, vai se tornando sempre mais próximo. Obviamente, a dualidade persiste, mas melhor administrada.

Compreensão

Em condições de avanço consciencial, o aspecto dual deixa de ser um fim em si mesmo como o é no racionalismo ortodoxo – que norteia a compreensão apenas para o dimensional físico – para se incluir no real hexadimensional – como, afinal, deve ser.

Assim, os paroxismos não são eliminados, mas antes que se manifestem como aberrações dimensionais físicas, são assimilados pela consciência como cosmointegrados.

E se a fluidez evolucional se aproxima do infinito, a aproximação conformativa vai realmente longe.

Da mesma forma, os extremos não são em definitivos eliminados, mas em contrapartida, a distância entre eles se torna continuamente menor, enquanto há ganho consciencial.

Nessas alturas, a conformação extremada é tão grande que só cabe, juntamente com a infinitesimal distância dual, no tempo cósmico. O ciclo evolucional cósmico, espiralado, é, então, aparente no não-absoluto.