Complicada civilização terráquea

Vênus, visto daqui: experiência de sentir outros mundos e perceber quão complicada é a vida na Terra. Fonte: Wikimedia Commons

Vênus, visto daqui: experiência de sentir outros mundos e perceber quão complicada é a vida na Terra. Fonte: Wikimedia Commons

Ao percorrer movimentada avenida de minha cidade, durante o crepúsculo, no início de agosto passado, em meio ao intenso trânsito do horário do rush, vejo em frente a mim, na distância, o brilhante planeta Vênus, ainda imerso no clarão do Sol.

Então, penso nos demais planetas flutuando em volta, em órbitas mais distantes, e me lembro que a vida, se neles houver, pode ser bem mais simples.

Logo, vejo a Terra como um desses mundos e me percebo vivendo nele, vivenciando o intenso burburinho, para vir à mente a pergunta inevitável: por que os seres humanos criaram uma civilização tão complicada?

A resposta pode estar no nosso nível de evolução. Para dar conta da demanda crescente por alimentos, bens e serviços, proporcionada pelo paulatino aumento populacional, as primeiras civilizações criaram um eficiente sistema de trocas, que resultaria no mercantilismo.

Este, por sua vez, foi enormemente influenciado pelo racionalismo e pelo Iluminismo, para assumir a forma moderna da economia de mercado (o único sistema concorrente faliu).

No meu ponto de vista, por trás de toda essa complicação, na qual estamos imersos, e isso é tão velho quanto a própria civilização, está o imediatismo.

Exaurir a Terra

Nós abrimos mão do que nós mesmos podemos fazer – porque isso geralmente demanda algum tempo e temos outras coisas para fazer – e delegamos essa missão aos outros.

O processo se especializou e se amiudou espantosamente, para permitir que mais e mais pessoas nele se inserissem.

Embora esse sistema seja vantajoso, possibilitando que bilhões de pessoas tenham emprego e renda, necessários para sobreviverem neste planeta, exaure seus limitados recursos naturais, além de causar danos às vezes irreparáveis ao meio ambiente.

Outra desvantagem, claramente visível, é que deixa outros bilhões à margem, alijados que são do sistema por diversas razões. Esse fator, especificamente, está na origem de outro terrível efeito colateral: a violência, as guerras.

Poderia ser diferente? E se, ainda no inicio das primeiras civilizações, tivéssemos tomado outro caminho, tão mais simples? Seria possível, depois de tudo o que já construímos, voltarmos à simplicidade?

Uma saída, que tenho defendido a unhas e dentes, é deixarmos este planeta e, depois, este sistema estelar.

Eu tenho defendido que nossos inimigos não são nós mesmos, mas de fora, vindos das profundezas do espaço.

Por isso, acho que devemos, a humanidade toda, acertar isso. Precisamos deixar de gastar quantidades fabulosas de dinheiro com armas, para que destinemos recursos e energias na construção de naves interplanetárias e interestelares, pois só nos salvaremos, todos, se estivermos aptos a colonizarmos outros mundos.

Só um começo

Contudo, enquanto isso não sai do papel, sim, acho sinceramente, que podemos voltar à simplicidade. Ora, a natureza provê tudo o que necessitamos. De fato, não precisamos de complicados e caros processos industriais que geram, em seu entorno, mais complexidade.

Talvez tenhamos que nos aproximar mais da natureza. Hoje, vejo inúmeros esboços disso, em vários lugares da Terra.

Uma tendência que se observa, nas grandes cidades, é grupos isolados de pessoas se tornando mais capazes de produzir, elas mesmas, o que precisam.

Esse processo começa por coisas simples, que não exigem grandes custos, mas pode ser uma tendência. As fontes renováveis de energia, por exemplo, são um começo. A produção de alimentos orgânicos nas grandes, outro.

Se ainda tivermos tempo, talvez construiremos um novo e descomplicado sistema de produção de bens e serviços em que as pessoas farão mais por si e, com isso, comprarão menos.