Como vi a Terra girar sob meus pés

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Referência no deslocamento rotatório do planeta, a Lua está bem posicionada quando ainda está relativamente baixa. Foto: Tom Lima

A gente não precisa estar em órbita, para perceber o planeta rotar. A primeira vez que percebi a Terra girar sobre o próprio eixo levei um susto! É mesmo impressionante. A gente tem a noção exata da pequenez do nosso próprio mundo, que vê como uma nave espacial.

A Terra sempre rodou e continuará rodando. Esse giro é responsável, entre outras coisas, pela sucessão dos dias e noites – seu mais visível efeito.

Sabemos da rotação, está nos nossos primeiros livros escolares e de forma alguma ela nos mete medo. Notamos todos os dias os astros aparentemente se movendo no céu. Em um instante, a Lua, por exemplo, está a uma determinada altura em relação ao horizonte, mas em questão de minutos, muda de posição.

Normalmente, vemos os astros se deslocarem aos saltos, porque, como não paramos para observar fixamente, durante alguns minutos seguidos, geralmente só percebemos grandes deslocamentos, e depois que ocorrem. A questão que quero colocar aqui é a percepção real do movimento rotacional da Terra, a gente perceber o planeta girar.

Uma coisa é saber que a Terra rota

A rotação é intrínseca ao nosso planeta, enquanto corpo astronômico. De fato, não existe no Universo um objeto que não rote. Do mais minúsculo e leve grão de poeira ao maior superaglomerado de galáxias, tudo gira inexoravelmente em torno de si mesmo.

A Lua parece não ter movimento rotacional, mas ela rota, sim. O que acontece é que, ao contrário da Terra, que gira uma vez a cada 24h, a Lua leva uns 28 dias para dar uma volta completa em torno do próprio eixo.

Esse tempo é comparável àquele que leva para completar uma órbita em torno do nosso próprio mundo. Em vista disso, o satélite natural parece ter sempre a mesma face voltada para cá.

Mas, se uma coisa é saber que a Terra rota, outra bem diferente é ver e sentir isso. Daí o meu susto. Hoje, depois de algum treino, posso perceber o fenômeno a qualquer momento.

Do Sistema Solar aos confins do espaço

A primeira experiência do gênero foi involuntária, isto é, não tive a intenção de observar o fenômeno. Aconteceu há alguns anos, quando ainda morava em Teresina (PI) e estava no interior, mais precisamente na cidade onde hoje moro e vivo, Pedro II.

Ao fim de uma tarde quente, saí do interior de casa à noite, cerca de uma hora após o ocaso, para a área descampada e escura, nas imediações.

Ainda não havia luz elétrica, naquela região da zona rural do município, de forma que me deparei, admirado, com um céu como nunca havia visto. Meu objetivo era, simplesmente, observar o céu estrelado, antes que a Lua surgisse, o que iria acontecer em cerca de três horas.

Como houvera Lua Cheia dias antes, nosso satélite natural ainda aparecia bojudo e muito brilhante, prejudicando a observação de muitos desses luzeiros celestes que evoluem das vizinhanças do Sistema Solar, aos confins do espaço.

Pude perceber a cor das estrelas

O céu estava completamente sem nuvens. A atmosfera, límpida e transparente. A friagem da noite já se fazia sentir.

À medida que meus olhos se adaptavam à escuridão, o que levaria cerca de 15 minutos, o céu parecia mais revelador: dezenas de estrelas de brilho bem intenso, muitas outras mais apagadas e um verdadeiro oceano desses sóis, mais apagados ainda, se estendendo a enorme distância.

Contornando essa grande estrutura, que mais parecia uma faixa esbranquiçada, o negrume da noite, salpicado de estrelas mais espalhadas. O céu estava tão cristalino que pude perceber a cor das estrelas: algumas vermelhas, umas azuis, outras brancas…

Galáxia espiral barrada da qual o Sol faz parte

Instantes depois, pude ver, ao mesmo tempo, quatro “aparelhos” se deslocando lentamente em linha reta, entre esses astros, em diversas direções.

Lentamente em termos, porque tais artefatos, produzidos pela mão humana – de satélites para fins civis e militares a estações espaciais e restos de foguetes – viajam a uns 25 mil quilômetros por hora.

Esta é a velocidade suficiente para que não caiam de volta à Terra, mas se mantenham em órbita, a uma altitude média de 300 quilômetros.

Mas, espetáculo mesmo era proporcionado pela infinidade de estrelas. Em maio, quando fiz aquela observação, a parte superior do céu, parecendo uma fraca neblina, compunha o majestoso plano central da Via Láctea.

Estrelas mais próxima desenhavam as belas constelações do Sagitário, Escorpião e o Cruzeiro do Sul. Era o panorama central da grande galáxia espiral barrada, da qual o Sol faz parte – por si só, uma maravilha.

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