5 ameaças (reais) que pairam sobre nós

 

Pterodáctilos voam tranquilos enquanto um asteroide cai em Chicxulub, nesta bela concepção artística. Licenciado sob Public domain, via Wikimedia Commons

Pterodáctilos voam tranquilos enquanto um asteroide cai em Chicxulub, nesta bela concepção artística. Licenciado sob Public domain, via Wikimedia Commons

O calendário maia não ditou o rumo do mundo. Os astrônomos maias não previram, de fato, que o mundo iria acabar em 21 de dezembro de 2012 como, de fato, não aconteceu. Contudo, alguns eventos têm potencial para causar destruição e morte em larga escala – esses sim, fundamentados em fatos científicos, e que, portanto, realmente devem nos preocupar.

A seguir, estão listados cinco cataclismos que, ameaçadores, pairam como espadas de Dâmocles sobre nossas cabeças. Um deles é uma ameaça vinda do espaço. As demais podem ser originadas na própria Terra.

1 – Impacto cósmico

O planeta Júpiter experimentou, no dia 19 de julho de 2009, o impacto de um asteroide rochoso com cerca de 270m. Não foi a primeira vez. Astrônomos conseguiram flagrar outros impactos mais recentemente.

Antes disso, um evento largamente documentado aconteceu em 17 de maio de 1994, quando o cometa Shoemaker-Levy 9, que havia se aproximado demais, atraído pela imensa gravidade do rei dos planetas, se partiu em 20 fragmentos que despencaram em sua densa atmosfera.

Os impactos provocaram explosões cataclísmicas em cadeia, com bolas de fogo maiores que a Terra. Nosso planeta não está livre de ameaça semelhante. O impacto de um objeto acima de um quilômetro pode causar um desastre de proporções tais que aniquilaria várias espécies. Há fortes evidências de que o impacto de um asteroide com cerca de 9Km de diâmetro extinguiu os dinossauros, há 65 milhões de anos.

Objetos foram descobertos quando se distanciavam

Os dinossauros haviam dominado a Terra nos 135 milhões de anos anteriores. Os astrônomos fazem a varredura do espaço para rastrear e catalogar possíveis ameaças, como um esperado Nibiru para 2012, mas elas podem surpreender.

Em 4 de fevereiro passado, por exemplo, o asteroide designado 2011CQ1 fez uma aproximação recorde da Terra, ao passar veloz a apenas 0,85 do raio terrestre (5.480Km acima da superfície do nosso planeta). O invasor passou perto da Lua e, logo depois, cruzou a Terra precisamente sobre o oceano Pacífico.

O objeto fora descoberto apenas 14 horas antes e apesar de ser extremamente pequeno, cerca de um metro de diâmetro, vale como lembrete do perigo, que pode nos surpreender. Vários outros objetos, até bem maiores, foram descobertos quando se distanciavam de nosso planeta, depois de passarem bastante perto.

2 – Supervulcões

Um supervulcão, se explodir, representa uma séria ameaça à civilização. O Parque Nacional de Yellowstone, no estado norte-americano de Wyoming, mas que se estende ainda por Montana e Idaho, abriga um monstro desses.

Sua caldeira, uma grande estrutura vulcânica de colapso, mede 83,34Km de largura e, abaixo dela, há uma gigantesca massa de rocha derretida, formando uma câmara magmática.

A caldeira se formou quando, em erupções anteriores, parte da câmara magmática se esvaziou e a estrutura superior do supervulcão desmoronou. Sua última erupção foi há 640 mil anos, despejando mil quilômetros cúbicos de cinza vulcânica que cobriu grande parte da América do Norte.

Contudo, enorme quantidade de gases, expelidos na atmosfera, bloqueou a luz do Sol, esfriando o planeta por inteiro durante vários anos.

Metade dos Estados Unidos sob camada de cinzas

Se Yellowstone explodir novamente, pelo menos metade dos Estados Unidos seria enterrada sob uma camada de cinzas vulcânicas.

Mas não apenas os americanos sofreriam. Uma vasta quantidade de material lançada na atmosfera extinguiria a agricultura em grande parte do mundo, podendo reduzir a população humana em ate 40%.

Outro supervulcão é o Lago Toba, na ilha indonésia de Sumatra, oceano Índico. Esse monstro mede 37,04Km por 111,12Km e quase levou espécie humana à extinção em sua última erupção, há 74 mil anos.

Recentes simulações de computadores mostram que a supererupção liberou energia equivalente a 1 gigaton, 3 mil vezes a energia desprendida pelo vulcão Santa Helena, em 1980, nos EUA, e provocou um inverno vulcânico que durou dez anos.

A temperatura global despencou até 5°, afetando severamente o ecossistema global e causando um formidável desafio às sociedades paleolíticas humanas. A megaexplosão de um supervulcão ainda pode engendrar erupções vulcânicas globais, terremotos em larga escala, megatsunamis e, até mesmo, deslocar a Terra de seu eixo.

3 – Megatsunami

Não só um supervulcão pode colocar em risco a civilização. Vulcões menores também podem. Um deles é o Cumbre Vieja, em La Palma, nas Ilhas Canárias, que ficam próximas ao litoral noroeste da África.

Com 1.949m de altura, o Cumbre Vieja é uma montanha instável e parte dela pode deslizar, no flanco ocidental. Uma erupção faria despencar no oceano uma massa colossal de terra e rochas, estimada em 500Km³.

Ondas gigantescas, de até 600m de altura, viajariam a mais de 800Km/h, a velocidade de um avião a jato. O megatsunami avançaria pelo oceano Atlântico e inundaria, em 6 a 7 horas, o litoral das três Américas. Em bem menos tempo, destruiria a costa ocidental da África e da Europa.

Danos só seriam reparados em até 100 anos Cidades grandes, como Nova York, não poderiam ser evacuadas a tempo. As ondas gigantescas invadiriam áreas costeiras, matando milhões de pessoas e causando incalculável destruição econômica.

A inundação avançaria até 25Km no interior dos continentes atingidos e causaria danos que só seriam reparados em até 100 anos. A instabilidade do flanco oeste da montanha surgiu em eventos eruptivos anteriores, mas ele pode desabar até mesmo sem que o vulcão erupcione.

Se terroristas islâmicos impacientes usarem o Cumbre Vieja para infringir danos à sociedade ocidental? Se é difícil radicais islâmicos entrarem com ogivas atômicas em território norte-americano, seria possível que um dispositivo nuclear contrabandeado fosse instalado na montanha e detonado, causando o desmoronamento fatal.

4 – Inversão do campo magnético

Outra inevitável ameaça geológica vem de uma possível inversão dos polos magnéticos terrestres. Os polos magnéticos norte e sul ocasionalmente trocam de polaridade, embora sem uma periodicidade regular.

A mais recente inversão magnética aconteceu há 780 mil anos, período maior do que a escala de tempo considerada normal entre tais inversões. Isso pode ser uma demonstração de que a próxima inversão está atrasada.

Ou pode estar a caminho. Durante uma inversão, os polos norte e sul parecem se deslocar em direção ao Equador ao longo dos anos e enquanto isso ocorre, o campo magnético diminui de intensidade.

Os cientistas sabem que o campo magnético da Terra, que tem origem no movimento rotacional do núcleo fundido do planeta, tem enfraquecido nos últimos 2 mil anos, aumentando a preocupação mundial de que estamos a caminho de uma importante transformação.

Embora ainda ninguém saiba realmente o que acontece durante um evento dessa envergadura, muitos geólogos acreditam que o campo magnético desaparece por algum tempo e então retorna com a polaridade oposta: o que era polo magnético norte passa a ser o sul e o polo magnético sul passa a ser o polo norte.

Durante uma inversão, a Terra fica temporariamente sem campo magnético. Sabe-se que o campo magnético terrestre é responsável pela proteção da vida contra a radiação nociva do Sol, que nas últimas semanas iniciou seu período de atividade máxima e pode nos surpreender entre 2012 e 2013.

Principais economias do mundo sem energia elétrica

Bem, uma reversão poderia não ameaçar a existência da humanidade, mas destruiria completamente a civilização como a conhecemos. Sem o escudo protetor, tempestades solares desativariam satélites em órbita e linhas de transmissão de energia em terra.

As principais economias do mundo ficariam sem energia elétrica durante vários anos. Aviões seriam obrigados a voar a baixas altitudes para proteger os passageiros contra a radiação vinda do espaço. Auroras, que normalmente acontecem em regiões próximas aos polos, seriam visíveis em todo o mundo.

5 – Pandemia global

Outro desastre que ameaça a civilização é uma pandemia global iminente, tal como a gripe que matou dezenas de milhões de pessoas entre 1918 e 1920 – mais vítimas fatais do que as provocadas pela I Guerra Mundial.

Muitas cepas de bactérias estão desenvolvendo resistência aos antibióticos, causando preocupação de que uma superbactéria, transportada pelo mundo em aviões e navios, poderia matar milhões de pessoas.

A China, por exemplo, recentemente teve que manter passageiros em quarentena para prevenir que um surto de gripe aviária se espalhasse.

Simplesmente não teríamos tempo suficiente para desenvolver uma vacina contra um supervírus ou uma superbactéria. Agentes desse tipo podem também estar à espreita de seres humanos curiosos e aventureiros, que chafurdam os ecossistemas à vontade, devastando áreas até então intocadas à procura de recursos naturais e áreas para agropecuária.